terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Lições da Argentina

Tenho dito que, muitos analistas, demonstram uma profunda ignorância sobre as questões da América Latina. O caso da recente eleição argentina é um exemplo paradigmático disso. Anda-se por aí a brandir o fim do bloco político liderado por Cristina Kirchner. Asneira. Aos fatos: durante cerca treze anos no governo - que começou com Néstor Kirchner -, esse bloco, dentre outros feitos, (1) enfrentou os credores externos da dívida (tirando o país do caos em que se encontrava), (2) contrariou a grande mídia com uma lei de regulamentação, (3) não baixou a cabeça perante as oligarquias rurais e urbanas, e (4) nem cedeu à 'vigarice sindical'. Os resultados disso foram os ataques sistemáticos ao governo. Numa eleição duríssima, com um "candidato inacessível" (para dizer o mínimo) e tendo a oposição de grandes grupos econômicos/da mídia, a frente política liderada por Cristina não logrou êxito por apenas cerca de 3% dos votos. Ao deixar o cargo, foi até à tradicional Plaza de Mayo  (em frente à Casa Rosada, onde está sediado o governo) para prestar contas à população, reunindo uma multidão que tomou conta das ruas ajacentes. Isso pode ser conferido aí baixo. Como se explica que, após cerca de treze anos de governo, com tantos e tantos ataques, saia-se nessas condições, com um apoio popular tão amplo? Seja qual for a resposta a ser aportada pela história e pela ciência política, parece que não se pode deixar de levar em conta 'o fato de não se capitular' e 'não se renunciar a princípios programáticos'. Lições da Argentina. Não obstante as "incongruências" do peronismo/kirchnerismo. 


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