quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Novos Fenômenos e Novas Problemáticas no Campo Educativo: Desafios e Alternativas




Ivonaldo Leite1

José Alberto Correia2

Resumo
Nosso objetivo neste trabalho é demonstrar a existência de novos fenômenos e novas problemáticas no campo educativo. A nossa tese é que o campo educativo atualmente está vivendo uma profunda  crise, a qual torna mais visível ainda a instabilidade da forma como foi definida a moderna cientificidade educativa. Essa definição se apoiou em dicotomias e emergiu indisponível para realizar  mediações epistemológicas e políticas. A atual crise no campo educativo, portanto, não é apenas uma crise organizacional; ela é também uma crise cognitiva. Dessa forma, nós apresentamos, de modo introdutório, um ponto de vista prospectivo como paradigma educativo alternativo, o qual concebe a sociedade como uma construção social e discursiva.
  Palavras-chave: Educação; professor, aluno; Estado; crise.

 Abstract
In this paper, our objective is to demonstrate the existence of new subjects in education and so the  existence also of new challenges to the educational research. We affirm that the educational field  actually is living a deep crisis, which becomes out still more visible the unstable character of the  form as the education was defined scientifically in the modernity. It was a definition supported in  dichotomies and emerged out unavailable to do the epistemological and political mediations.    Therefore the current educational crisis is not only an organizational crisis, it is also a cognitive  crisis. Thus we present introductorily a prospective point of view as one alternative educational  paradigm, which conceives the society as one social and discursive construction.
Key words: Education; teacher; student;  state, crisis.


 1 - Introdução 

Uma das características mais originais do campo educativo é tipificada pela compreensão segundo a qual há uma impossibilidade de se lhe atribuir um estatuto epistemológico estável através da “adaptação” dos sistemas de legitimação que definiram a cientificidade das Ciências da Natureza3. Sendo um espaço de convergência de uma pluralidade de matrizes disciplinares e, portanto, um espaço potencialmente propenso à interdisciplinaridade, a reflexão  educativa cientificamente instrumentada raras vezes conseguiu afirmar essa potencialidade, tendo-se constituído antes como um espaço reflexivo estruturado no exercício do conflito disciplinar e na conflitualidade entre escolas  científicas.
Por exemplo, a moderna cientificidade educativa estruturou-se tendo como “pano de fundo” uma disputa entre backgrounds histórico-sociológico e psicológico. O primeiro vocacionou-se essencialmente para a produção de enunciados incidindo sobre os fins da educação e sobre a coerência dos meios relativamente aos fins afirmados, e desse modo dirigiu-se fundamentalmente para o Estado enquanto personificação política do social, contribuindo, assim, para a estabilização de uma definição “naturalizada” da relação pedagógica como espaço de exercício de uma atividade interindividual mediatizada por um saber a transmitir. Por sua vez, o background psicológico erigiu a Psicologia da Educação como uma ciência dos meios educativos, dirigindo-se a professores e alunos com o intuito de lhes realçar as “tecnologias educativas” mais eficientes, isto é, os métodos mais úteis para eles levarem adiante o seu métier.
Dessa forma, as focagens histórico-sociológicas constituíram-se como abordagens dos fins em educação ou como abordagens da denúncia dos desvios relativamente aos fins, que se em determinado momento legitimaram os discursos críticos por parte dos intervenientes no campo educativo, por outro lado, raramente se detiveram na especificidade da relação pedagógica, por se dirigirem preferencialmente para a sociedade ou para o poder político. Quer dizer, enquanto a Psicologia da Educação desempenhou o papel dos instrumentos e artefatos educativos, as focagens histórico-sociológicas se afirmaram como abordagens da “denúncia educativa”. Daqui o que temos é uma divisão epistemológica no campo educativo que inibiu (e inibe) o “discurso psicológico” de se debruçar sobre as finalidades sociais da educação e que limita o “discurso histórico-sociológico” a tratar quase exclusivamente da congruência dos meios relativamente aos fins, no pressuposto de que a ordem educativa seria profundamente ritmada pelos espaços e tempos da intervenção do Estado-nação.
Essa caracterização das abordagens histórico-sociológicas foi comum mesmo nos países anglo-saxônicos e francófonos, que tradicionalmente têm “entradas analíticas” diferentes nas temáticas. Em ambos, até meados da década de 1960, o enquadramento conceitual e metodológico atribuído a tais abordagens era profundamente tributário de uma definição política da educação onde se subentendia a existência de uma forte relação entre a macro-regulação dos sistemas educativos, a organização política da escola e as atividades de conhecimento que se desenvolvem  a propósito dela. Como assinala Derouet (1992), as diferentes correntes da Sociologia da Educação, incluindo as mais críticas, estruturaram-se em torno do ideal da igualdade de oportunidades e construíram categorias analíticas que, sendo pertinentes para a análise dos fenômenos produzidos à escala do Estado-nação, se associam a um processo de “naturalização” de uma concepção centralizada e estandardizada da educação pouco permeável ao reconhecimento de lógicas educativas que escapem aos espaços e aos tempos da intervenção do Estado. E mais ainda: ficando na focagem macro, elas desconsideram a especificidade da escola e  da relação pedagógica como unidades de análise.
Pois bem, se a instabilidade é uma das dimensões ontológicas centrais do campo educativo, nos dias atuais essa instabilidade apresenta-se intensificando-se ainda mais. Uma diversidade de fenômenos tanto estiola a moderna cientificidade educativa como dá corpo a novas problemáticas, a um só tempo políticas e cognitivas, e perante as quais os professores sentem uma profunda sensação de impotência e de mal-estar. Conhecer as transformações que estão a se operacionalizar no campo educativo é condição sine qua non para que as intervenções no mesmo se tornem acreditadas.

2 - Da educação das certezas à incerteza da educação

Até meados da década de 1970, o campo educativo esteve estruturado sob uma relativa égide de certezas. Nas sociedades centrais, para usarmos aqui uma expressão consagrada por Imanuel Wallerstien em sua Teoria do Sistema Mundo4, havia uma relação direta entre o mundo escolar e o mundo do trabalho, onde as certificações fornecidas pelo primeiro serviam de passaporte para o ingresso no segundo. Nesse contexto, a profissão docente não só era valorizada material e simbolicamente como a própria atividade do professor era exercida num ambiente de acalmia, onde a indisciplina não se constituía num fato generalizadamente perturbador.
Na verdade, aqui estamos diante de um quadro em que o Estado proporciona tanto o enquadramento político como a descrição cognitiva da  educação. Isto é, por exemplo,

a educação tende a ser descrita como o resultado da intervenção do Estado no campo escolar, sendo este ocupado por entidades procedentes de uma investidura jurídica que, atribuindo-lhes um conjunto de propriedades abstractas, as tende a definir como centros funcionais de um sistema obedecendo a uma regulação  monocentrada. (CORREIA, 2001, p. 23)

E, tenha-se presente, apesar de a Sociologia da Educação se ter desenvolvido na crítica a uma definição da educação que reduz o político ao jurídico e as propriedades sociológicas dos seres àquelas que resultam da sua categorização jurídica, e apesar de a Psicologia da Educação ter procurado pôr em realce a diversidade de trajetórias dos indivíduos no seu desenvolvimento, o que parece acontecer é que uma e outra revelam-se prisioneiras dessa definição dos entes escolares. Neste cenário, a Pedagogia é encarada como um subproduto da Psicologia da Educação ou como um “dispositivo argumentativo” de reivindicação da autonomia do pedagógico frente ao político.
Last but not least, encontramo-nos em presença de um Estado que é fundamentalmente educador e de um indivíduo que é por natureza educável, dimensões essas expressas respectivamente pelos discursos sociológico e psicológico. Alimentado por tais dimensões e vivendo sob a égide das certezas, o campo educativo propagou uma noção de socialização que, ancorada em relações de transição, encara o desenvolvimento dos indivíduos como a consumação da sua integração numa ordem  social (e também cognitiva) universalizada. Trata-se de  uma ordem social que lhes é pré-posta e, para que nela ingressem, os indivíduos devem fazer um percurso entre o “mundo doméstico” e o mundo social, mundo esse cuja definição política se tende a confundir com uma definição jurídica que se articula com uma outra definição oriunda do mundo industrial onde as propriedades sociais dos seres estão dependentes das qualidades que lhes são escolarmente atribuídas.
A partir dos anos 1980, essa educação das certezas é tomada por um profundo processo de erosão. Os fenômenos que emergiram no campo educativo profanaram os postulados nos quais a ação dos professores estava assente. Ao fim e ao cabo, o que se tem é uma crise das premissas que deram corpo à moderna cientificidade educativa e uma crise das convencionais formas de gerir a ação educativa, culminando isto numa crise de todos os discursos que, neste campo, eram dotados de “cidadania científica” – inclusive os discursos críticos. Em suma, a crise da educação não é apenas política, no sentido da sua gestão, ela é também uma crise cognitiva.
Não temos a pretensão de traçar neste artigo-ensaio uma genealogia minuciosa dessa passagem da educação das certezas à incerteza da educação, evidenciando pormenorizadamente todos os fenômenos que lhe dão corpo. Decerto este seria um trabalho de maior fôlego e, como tal, sem condições de ser realizado num texto como o presente. Contudo, na nossa démarche, não podemos deixar de realçar uma amostra dos fenômenos que puseram em causa o estatuto de certeza no qual o campo educativo se referenciava.
Um dos primeiros fenômenos a ser destacado envolve diretamente a identidade docente e manifesta-se quotidianamente, na sala de aula, no labor dos  professores. Referimo-nos à problemática da indisciplina, donde deriva a discussão sobre a autoridade e o poder dos docentes. Já se tornaram lugar-comum os lamentos em torno da “falta de respeito ao professor” na sala de aula e a conseqüente reivindicação de dispositivos de correção, designadamente de correção disciplinar, para enfrentar essa situação, isto tanto nas sociedades centrais como nas não- centrais.
De par com a indisciplina, a violência nas escolas e o stress profissional – com os professores recorrendo aos “auxílios psicológicos” – tornaram-se elementos constituintes  do  dia-a-dia  no  campo  educativo.  A  forma,  contudo,  como   essas discussões têm sido desenvolvidas acionam lógicas que, limitadas analiticamente, estão, à partida, impedidas de captar a natureza do que está em causa no campo educativo e, assim sendo, implícita e explicitamente, apelam a “receitas de solução” que, como o sentido etimológico da palavra receita sugere, ficam só mesmo nas receitas, sem conseqüências práticas que correspondam  às expectativas  dos docentes. É isto que acontece, por exemplo, com a confusão que tem sido feita entre os termos poder autoridade dos professores. Entendamo-nos.
A noção de autoridade distingue-se da noção de poder pelo fato de, em sintonia com a sua raiz etimológica, o seu significado estar associado à noção de autor, ou seja, à noção de criador, de alguém que está na origem da sua própria ação e que é capaz de se autorizar, ao passo que a palavra poder nos remete mais para a idéia de procuração, mandato, ter influência ou força (CORREIA e MATOS, 2001). Quer dizer, enquanto o poder é delegado por procuração, por decreto, ou por via do exercício de um mandato ou de uma ordem, a autoridade, associada às noções de autor, compositor, criador, inventor ou arquiteto, remete-nos mais para a idéia de alguém que se legitima pela sua própria obra do que por uma lógica referenciada a processos de legitimação apoiados na cedência de um poder cuja legitimidade transcende aquele que o exerce por delegação.
Disto, o que se tem é que o poder dos professores, que importa não confundir com a sua autoridade, apóia-se numa delegação triádica: uma delegação cognitiva, uma delegação política e uma delegação  jurídica.
Do ponto de vista cognitivo, o professor define-se como o delegado de um saber científico de que é o fiel depositário; no que se refere ao plano político, ele é o depositário fiel de um poder cultural, público e laico, delegado pelo Estado-nação e/ou por uma geração social; e no tocante à terceira delegação, ela é oriunda de uma ordem jurídica que, assente em mandatos cognitivos e políticos, legitima o exercício de uma capacidade de julgar, de emitir uma sentença e/ou de proceder a uma avaliação que, pelo menos nos níveis mais elevados dos sistemas educativos, não é susceptível de recurso quanto à sua estrutura de inferência e aos seus resultados.
Ora, o que uma atenta observação analítica nos mostra é que, hoje, tais mecanismos de delegação do poder dos professores estão em profunda crise. Explicamo-nos.
Cognitivamente, de uma parte, verifica-se a intensificação da crise dos postulados da positivista ciência moderna, donde decorre a evaporação da crença segundo a qual seria possível emitir juízos de fato totalmente separados dos juízos de valor, afirmando-se assim a pertinência de uma postura marcada pela neutralidade axiológica, cenário no qual o professor desempenhava uma espécie de papel de “maestro monofônico”, difundindo pontos de vista enformados como verdades únicas e, desse modo, imunes a questionamentos. Por outra parte, e em associação com o que acabamos de acentuar, registra-se uma crescente instabilização da missão do professor como detentor do monopólio do saber a ser transmitido às novas gerações, numa situação em que essa sua condição é constantemente profanada pela atuação dos meios de comunicação de massa, pelas novas formas de comunicação das tecnologias da informação e pelo desenvolvimento de novas redes de sociabilidade no seio da população juvenil. Os jovens já não precisam ir à escola  para conhecer e compreender determinados assuntos, e indo a ela já tendo se inteirado  dos  mesmos,  não  podem  achar  senão  uma  “chatice”  ver  e  ouvir    os professores repetirem a mesma coisa, às vezes até de um modo mais difícil de ser entendido.
No que concerne à crise da delegação política do poder docente, ela é uma crise que se confunde com a crise do próprio Estado. Até os finais da década de 1970, o Estado teve um papel cimeiro nas macro-determinações do campo  educativo. Ele foi por natureza um Estado Educador que, apresentado-se como representante de uma Nação, delineava as diretrizes estruturantes do campo educativo no intuito de cimentar uma base de valores para, por exemplo, assegurar a homogeneidade interna e garantir uma identidade nacional. Esta é uma realidade que está ficando para trás. Com a globalização e as manifestações do capitalismo informacional, não só a idéia de Estado-nação é descentrada, em nome de uma mal- definida “cidadania global”, como o referencial estruturante da ação educativa deixa de ser o Estado e passa a ser o mercado. Sendo o mercado a referência norteadora, o Estado, que antes era educador, passa a ser um Estado avaliador, multiplicando uma série de exames levados a cabo em função dos objetivos valorativos do mercado5. E o mercado não tem pátria. Contudo, há mais a  se  considerar.
A transformação do Estado educador em Estado avaliador teve uma influência determinante na estruturação dos processos de “renovação didática” e na invenção da “autonomia” da escola que, como se sabe, além de constituírem duas dimensões centrais de referência da transformação pedagógica interna aos sistemas educativos, apelam para um processo de (re)socialização profissional dos docentes. Nesse domínio, o Estado-nação demonstrou ser demasiado grande para se poder constituir como referencial estável desse processo de (re)socialização. Analiticamente, constata-se que:

Tendo assegurando, nas décadas precedentes, a “socialização didática” dos professores através de um conjunto de mecanismos de controle administrativo que, em íntima articulação com a formação contínua, asseguravam, de uma forma mais ou menos eficiente, o cumprimento das prescrições curriculares, o Estado confronta-se, hoje, com uma situação qualitativamente nova. Por um lado, ele já não controla completamente o sistema de formação contínua que é investido de um conjunto diversificado de funções que fazem dele  um espaço particularmente permeável à expressão de uma conflitualidade de interesses que, só remotamente, se referenciam à pertinência cognitiva ou instrumental dos saberes a ministrar (...). Por outro lado, o controle burocrático-administrativo das prescrições curriculares confronta-se com o desenvolvimento consolidação de uma indústria do ensino que, apoiando-se num  “marketing  educativo” particularmente agressivo, desempenha um  papel  cada vez mais importante na “socialização didática” dos professores. (...) Esta “indústria do ensino” (...) tende a instituir-se como um “contra- poder” que, além de matizar, limitar e regular o poder do Estado, tende a definir quer o conteúdo do ofício do professor quer o do  ofício do aluno. (CORREIA e MATOS, 2001, p. 33-34)

De tais transformações, não temos senão que a raison d’être da delegação política do poder dos professores se encontra extremamente fragilizada. O resultado disso é uma influência direta na terceira delegação do poder dos professores: a jurídica. Quer dizer, as mencionadas metamorfoses no âmbito do Estado desconfiguram o poder dos professores no concernente ao exercício da avaliação junto aos alunos, verificando-se uma redução dos seus atributos (e nalguns casos, mesmo uma anulação) no referente ao julgamento dos desempenhos de aprendizagem e na emissão de “sentenças” com bases determinantes para a continuidade ou não de percursos escolares. Não há como negar ainda que a desvalorização social dos diplomas escolares também contribui para a diminuição da importância social acordada à avaliação escolar, o que resulta numa manifestação bastante típica: a descoincidência cada vez mais acentuada entre os títulos/diplomas e as colocações no mercado de trabalho. Ou seja, tem-se tornado comum o fato de as pessoas só encontrarem empregos para os quais a exigência de qualificação é  inferior à formação que elas possuem. Por consequência, portanto, pode-se muito bem questionar-se o valor/utilidade da avaliação, dado que os graus que ela certifica tornam-se desacreditados.
Não sendo algo restrito aos professores, as metamorfoses no campo educativo também se fazem notar no universo discente. Não por acaso a abordagem sociológica contemporânea não só assimilou a “problemática do aluno” como também deu expressão categórica a ela, por via da instituição da noção de ofício do aluno. Do que se trata aqui, conforme assinala Régine Sirota, é que o reconhecimento da cidadania científica do ofício do aluno no campo da Sociologia  da Educação não decorre exclusivamente de uma evolução interna desse campo, trata-se de uma evolução teórica metodicamente conectada com as transformações no próprio campo educativo6. Tal categorização, de forma simbólica, representa o reconhecimento implícito de que a escolarização já não é um processo “natural” inscrito numa trajetória de desenvolvimento pessoal:

Ser aluno já não significa inscrever-se em estruturas de socialização mais ou menos adaptadas funcionalmente a um processo de maturação individual e de integração social conforme as leis do desenvolvimento individual ou social, mas subentende a aprendizagem social de normas e de regras que, do ponto de vista do indivíduo que as vai assumir, apresentam sempre um caráter mais ou menos arbitrário. Ser aluno já não é apenas estar envolvido num processo de socialização conforme a natureza, individual ou social, das coisas, mas é assumir desde logo um estatuto social que se define de per si, não podendo por isso ser exclusivamente apreciado pela forma como ele se articula com um antes (socialização familiar) ou um depois (a maturidade de que ele seria o antecedente natural). (CORREIA, 1998, p. 112) 

ofício do aluno define-se, por exemplo, pela dissociação entre a vida escolar e a sua vida cultural, entre o sistema e a pessoa, isto é, o ofício do aluno constrói-se na consolidação das tendências onde ele deixa de ser estudante – alguém que está na escola – para passar a ser um trabalhador escolar, ou seja, alguém que  vai à escola.
Não há lugar para dúvidas, conforme a abordagem que estamos a desenvolver, que o que se verifica hoje no campo educativo é tanto uma crise político-administrativa quanto cognitiva. Trata-se de um quadro que os chamados discursos críticos sobre educação têm dificuldade de captar. Assim, a crise da educação é também uma crise dos discursos críticos sobre ela, é uma crise dos  modos de a pensar, e não apenas dos modos de a gerir. Estamos perante um estilhaçamento da moderna cientificidade educativa, da lógica que lhe estruturou; quer dizer, entre outras coisas, é uma crise da redução do educativo ao escolar, portanto uma crise do modelo escolar tal qual ele se consolidou. Todavia, ao mesmo tempo, tem-se um fato paradoxal:

O agravamento progressivo da crise do modelo escolar e do processo de escolarização que este modelo escolar suporta e legitima tem sido acompanhado pelo desenvolvimento de disposições visando a (...) pedagogização dos problemas sociais numa lógica em que, a par da tendência para se dissociar o social de uma cidadania que se consuma na referência ao mercado (das oportunidades), se assiste à  emergência de uma nova meritocracia, que faz tender a resolução {de todos} os problemas sociais da mobilização das vontades individuais e estas da posse de competências adequadas que a escola {as detendo ilimitadamente} deve transmitir. (CORREIA e MATOS, 2001, p. 91- 92)

Desse modo, apela-se para uma ação educativa que parece voltada unicamente para a formação de uma espécie de “super-cidadão”. E como as metáforas não são só metáforas, mas atribuem um sentido às coisas que as tornam didaticamente mais compreensíveis, pode dizer-se que se trata de uma ação educativa que se preocupa apenas com a formação dos habitantes da cidade (sociedade), o que significa assumir o pressuposto de que ela, a sociedade, já está edificada, sendo portanto desnecessário ter em conta a questão da sua construção e reconstrução. A idéia de formação do cidadão de par com a construção da própria cidade parece ser algo que cada vez mais é colocado de parte. O acento dos discursos deixa de ser dirigido para as relações de sociabilidade como um processo integrado e passa a ser posto nas de acessibilidade, quer dizer, nas dinâmicas de inclusão, inclusão numa ordem pública antecipadamente construída, uma cidade em relação à qual não mais se põe a questão de saber que referencial serve de  dispositivo estruturante das suas relações sociais, pois a opção por ele já foi feita de forma inquestionável em torno do mercado. Do ponto de vista social, desigualdade parece ser uma palavra que vai sendo “esquecida” e substituída por diferença (num transplante descriterioso da sua utilização no plano cultural), e dessa forma, ao invés de se querer tornar os desiguais iguais, o que supõe reconsiderar a dinâmica societal instituída, busca-se a inclusão numa ordem, numa cidade que já está arquitetada e cujo padrão de relações sociais implica a existência da exclusão, o que significa assinalar a impossibilidade de incluir a todos.
Pode ainda ser referido, nestes tempos de incerteza da educação, o fenômeno da avaliatocracia em relação à profissão docente, que ao invés de contribuir para a construção de uma carreira (auto)reflexiva e acreditada, assegura antes a instituição de mecanismos de controle a distância da profissão – numa lógica que é própria do Estado avaliador –, o que é, no mínimo, paradoxal, quando se considera a atual retórica em torno do projeto pedagógico, da flexibilidade curricular e da “liberdade” do professor em definir os parâmetros da sua ação.
Sem que se negue o valor da avaliação, há que se realçar contudo que a forma como ela vem sendo exercida contribui, a um só tempo, para desagregar o campo educativo e para instaurar uma idéia de profissionalidade que, concebendo a profissão docente de modo permanentemente deficitário, despreza os saberes experienciais e torna o ato de professar tributário de uma tradição eminentemente instrumental. O rebatimento disso no sistema educativo é a criação de disposições subjetivas que naturalizam o processo social de hierarquização das escolas, em função de um desempenho que é mesurado por meio dos “produtos cognitivos”, e por essa via também ocorre a produção de disposições subjetivas tendentes a aceitarem o laissez-faire, laissez-passer como ideal estruturante único do modo de funcionamento do sistema público de educação. Ora, esse é um processo que desvaloriza as dimensões do trabalho do professor que incidem sobre os aspectos relacionais, sócio-afetivos e comunicacionais, tendendo dessa forma a serem excluídas como dimensões-componentes da profissão docente.
Esse breve inventário parece ser suficiente como amostra das metamorfoses que fizeram a educação oscilar do plano das certezas para o âmbito do incerto, donde surgem novos fenômenos e novas problemáticas que instigam os pesquisadores que se ocupam do campo educativo, no sentido de esboçarem perspectivas que se coloquem à altura dos desafios analíticos dos dias atuais.

3 - Da incerteza da educação à construção de uma pedagogia (auto) reflexivo- mediadora (notas prévias)

Num trabalho voltado para a análise das reformas educativas, Popekewitz (1994) sugere, ao referir à construção de um paradigma alternativo, que ele deve apoiar-se em ações investigativas que promovam a autocrítica dos seus próprios pontos de vista e sistemas cognitivos. Quer dizer, podemos aqui, e antes de tudo, definir a educação como um espaço público que é construído social e discursivamente, acompanhando-nos de Habermas (1997, p. 19) para pôr em relevo a ênfase numa razão argumentativa que embora “não ofereça, por si própria, nenhuma orientação concreta para resolver as tarefas práticas, já que não é informativa nem imediatamente práticanem tenha por função propor uma teoria normativa para ação, ela oferece, no entanto, “o fio condutor para reconstruir o tecido das discussões onde se formam simultaneamente as opiniões” (Ibidem, p. 19) e as deliberações que constituem o fundamento de um poder democrático auto- reflexivamente construído e partilhado.
Apelando ao desenvolvimento de uma abordagem prospectiva, parece-nos que o que acabamos de aludir é uma compreensão a reter num trabalho de (re)formulação de uma pedagogia, de uma ação, intencionada a construir uma alternativa no presente contexto educativo. De resto, trata-se de assumir ainda a necessidade de prestar uma atenção acrescida às linguagens empregues, dado que, sendo a realidade uma construção social e discursiva, as formulações analíticas não são apenas de natureza cognitiva – descritivamente, não apenas descrevem, mas também constróem aquilo que é descrito.
Tomando tais considerações como pressuposto, apresentamos aqui algumas notas prévias do que estamos a denominar de uma pedagogia (auto)reflexivo- mediadora. Com o quadro a seguir, delineamos sinteticamente as premissas que lhe dão corpo.

Quadro 1 – Bases Estruturantes para 
uma Pedagogia (Auto)Reflexivo-Mediadora

DIMENSÕES
CONTEÚDO DAS DIMENSÕES
Princípio organizador da sociedade
Ação social e comunicação
Modalidades de definir as iniciativas educativas
As iniciativas educativas são uma construção social e discursiva
Modalidades de gerir as iniciativas educativas
Comunidades interpretativas em espaço de deliberação
Referência analítico-metodológica
Argumentação
Unidades de focagem das iniciativas de pesquisa
Sistema, os atores/suas estratégias, gramáticas das formas de vida e ação social
Tipo de racionalidade
Racionalidade comunicacional e interesse emancipatório
Procedimento epistemológico
Interpenetração entre sujeito e objeto
Modo de objetivação
Compreensão argumentada
Base fundante das iniciativas educativas
Postulados cognitivo e político, mediados por uma recíproca autonomia relativa; não-redução da educação à educação escolar

Embora se tratem de “idealizações”, no sentido weberiano, o que supõe a condensação de cada uma para que se empreenda o encadeamento classificatório, as dimensões e os seus respectivos conteúdos, de um modo geral, garantem a  substância dos dispositivos que dão forma a uma pedagogia que se quer (auto)reflexiva e mediadora. Ela, sendo alternativa, como já assinalamos com a menção ao trabalho de Thomas Popekewitz e como a sua própria designação sugere, está investida, à partida, da decisão de refletir sobre si própria, e assume-se como  mediadora na intenção de superar as dicotomias no campo educativo. Quer dizer, ela apela à realização de um trabalho de mediação sobre as mediações: mediação entre teoria e prática, libertando a reflexão epistemológica no campo educativo do abstracionismo estéril e desreferenciado dos problemas que a prática social coloca como desafio; mediação entre a educação escolar e não-escolar, recuperando e produzindo narrativas que façam com que os professores se autorizem por suas próprias obras e os jovens possam articular as suas redes de sociabilidade com as dinâmicas escolares; mediação, enfim, entre o individual e o social. Ou seja, trata-se de transgredir o terreno empírico delimitado pela moderna cientificidade   educativa,que divorciou as abordagens histórico-sociológica e psicológica7, com essa transgressão recorrendo ao denso patrimônio epistemológico das ciências da educação, para promover uma complementaridade reciprocamente vigiada entre ambas8.
As três primeiras dimensões constantes do quadro apresentado dizem respeito à definição política da educação e procuram superar a forma como convencionalmente ela tem sido entendida, inclusive pelos chamados discursos críticos. Isto é, a cidadania educativa tem sido entendida como um fato que  preexiste a uma relação social, sendo definida em função de uma lógica de acessibilidade a um bem comum, qual seja, a escola e o que ela proporciona. Ora, não só essa “linearidade” precisa ser questionada como a própria sociedade precisa ser concebida como uma construção social discursiva, na qual a ação só é ação porque é dita e só dita porque é ação.
As seis últimas dimensões do quadro incidem sobre as “narrativas científicas” produzidas a respeito da educação, quer dizer, incidem sobre o plano cognitivo. A utilidade das mesmas reside mais na sua capacidade de restituir as lógicas estruturantes das ações investigativas do que no fato de proporcionarem um reflexo material imediato que poderia ser tomado como uma cópia fiel de uma demonstração empírica. São dimensões situadas no plano da cognição e que têm consciência do fato de que qualquer ordem cognitiva produz sempre conhecimentos e desconhecimentos relativamente ao universo dos fenômenos a que ela se reporta. Elas, as dimensões, estão conscientes também de que a estabilidade da referida ordem está dependente da pertinência dos conhecimentos produzidos e da relativa irrelevância dos desconhecimentos.
Com tal “consciência”, a pedagogia (auto)reflexivo-mediadora realça que as gramáticas cognitivas da forma escolar, que até os finais da década de 1970 permaneceram relativamente estáveis, experimentam atualmente uma profunda erosão.  Isto é:

Estruturadas em torno da “naturalização” das figuras dos alunos, dos professores e do currículo e numa representação da ordem escolar onde a relação social é pensada como relação individual, estas “gramáticas” devem a sua estabilidade à relativa conformidade entre as propriedades sociais dos seres que habitavam a escola e as suas propriedades escolares, bem como do reconhecimento de  que  a  relação social no interior da escola não carecia de ser problematizada como uma relação contingente, já que ela era uma conseqüência inevitável da relação que a escola estabelece com a sociedade, ou seja, uma conseqüência dos modos de definir a contribuição  da  escola para a produção e reprodução de uma coesão social que lhe é extrínseca. (CORREIA, 2001, p. 36)

Desse modo, a pedagogia (auto)reflexivo-mediadora deseja salientar que os pressupostos referidos na citação deixaram de ser inquestionáveis. Deve-se considerar, com atenção, que a multiplicação dos casos de indisciplina escolar e mesmo as incivilidades na escola, bem como o fato de esses fenômenos permanecerem, apesar da “exterminação” regular dos indisciplinados, pronunciam a problematização da ordem educativa, quer dizer, sugerem que a escola tem  de atribuir uma atenção tal à manutenção da sua coesão social interna, que as relações entre a escola e a coesão social já não podem ser pensadas exclusivamente em torno da lógica da contribuição. O que hoje parece, com efeito, central para a manutenção da coesão social interna à escola já não é a natureza das missões que lhe são atribuídas, mas as retribuições que ela espera dos contextos sociais para cuja coesão ela é suposta contribuir. Importa assinalar que:

A diversificação dos saberes, linguagens e redes de comunicação que estruturam a vida da escola, já não são integráveis nas atividades curriculares e escapam a definição entre o curricular e o extracurricular. Os professores, por sua vez, experimentam uma situação de fragilização da sua profissionalidade e parece já terem perdido o sentido “profético” da sua missão, para se ocuparem da produção de dispositivos que lhes garantam a sobrevivência num contexto onde se acumulam os fenômenos geradores de um profundo sofrimento e de uma solidão profissional. (Ibidem, p. 36)

Por assim ser, pode-se, portanto, admitir que a crise das formas escolares não exprime apenas perturbações nas modalidades de gerir a escolarização, mas é uma crise da própria escolarização, e como tal apela para um trabalho cognitivo no qual as relações entre o escolar e o educativo possam ser pensadas numa lógica de interpelação, numa lógica atenta à ação dos (inter)mediadores que, ao intensificarem essas relações, recriem, transformem, traduzam e traiam tanto o escolar como o educativo.

4 - Conclusão

Neste artigo-ensaio, tendo, à partida, realçado a impossibilidade de se atribuir um estatuto epistemológico estável ao campo educativo, donde evidenciamos a dicotomia e a conflitualidade disciplinares da moderna cientificidade educativa, para sugerirmos que nos dias presentes a instabilidade torna-se mais acentuada ainda, de seguida, desenvolvemos uma incursão na qual pusemos em relevo uma amostra tanto dos novos fenômenos que atravessam o aludido campo quanto   das   novas   problemáticas   deles   decorrentes.   Feito   isto,    propusemos prospectivamente uma abordagem que se enforma naquilo que chamamos de uma pedagogia (auto)reflexivo-mediadora.
Mesmo que de maneira prévia e provisória, essa pedagogia delineia um horizonte para o agir. De algum modo, ela apela para uma reabilitação e para uma incorporação no campo educativo de uma tradição da crítica literária que se exprime pela atribuição de uma legitimidade epistemológica consistente aos discursos e às ordens argumentativas, situando-os num espaço de inter-textualidades no qual as provas e os textos com pretensão à cientificidade gozam de uma pertinência semelhante aos argumentos e aos discursos com pretensão à justiça. A pedagogia (auto)refexivo-mediadora não compactua com as compartimentações do saber e transgride as empirias que delimitam as fronteiras disciplinares. Não se inscreve em nenhum modelo dicotômico, antes empenha-se na produção de mediações. Ela, enfim, sustenta-se de práticas científicas, contudo, ao invés de se tornar prisioneira da frieza dessas práticas e da sua extraterritorialidade, considera-as naquilo que, como diz Latour (1991), as mesmas sempre tiveram de mais importante: a sua audácia, a sua experimentação, a sua mistura de híbridos incongruentes, a sua capacidade em  recompor relações sociais.


Notas

1   Professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

2 Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal.

3   Retomamos aqui posições que  formulamos em outros trabalhos. Veja-se, por exemplo, Correia (1998; 2001), Correia e Matos (2001), Leite (2006; 2003).

4 Como se sabe, Wallerstein concebe a ordem hierárquica internacional estruturada em torno de um centro, uma periferia e uma semi-periferia, donde resulta a existência de países centrais, periféricos e semi-periféricos. Ver Wallerstein (1979).

5   No novo contexto, a Pedagogia é concebida fundamentalmente como um mecanismo de construção política da educação, sendo que, ao mesmo tempo, ela é depurada das suas potencialidades críticas, para legitimar tanto a despolitização do político em educação como a sua redução a uma entidade organizacional.

6   Sirota (1988: 85) afirma que para percorrer a galeria dos retratos que compõem a atual figura do aluno, é necessário reunir e tecer os fios que ligam a evolução {do discurso sociológico} (...) com a evolução da gestão política do sistema educativo e com os debates sobre a escola”.

7 De resto, claro está, trata-se de uma postura metodológica que não se dispõe a alimentar a antítese entre o puro e o aplicado, dado que quando uma ciência é aplicada a um campo, não se produz apenas um  efeito de via única, mas há uma dupla (e recíproca) circulação epistemológica da ciência aplicada para dentro do campo e deste para dentro da ciência aplicada. Ambos se modificam e se identificam. A este respeito, é bem sugestivo o realce do trabalho de Nanine Charbonnel (1988), considerando os Tratados de Psicologia Aplicada à Educação entre o fim do século XIX/início do século XX, ao acentuar que os psicólogos não se limitaram a aplicar um saber que preexistia à sua aplicação, mas fizeram um trabalho  de criadores: “inventaram e escreveram uma disciplina, criaram livros, contribuíram abundantemente para uma visão do mundo, da criança, do homem, da sociedade” (CHARBONNEL, 1988, p. 53), de modo que a sua identidade deontológica também é reconfigurada no campo onde estão a atuar, relativizando e superando a antítese entre o puro e o aplicado.

8   Isto é, tendo um estatuto epistemológico que reúne as mais variadas disciplinas (História,Sociologia, Psicologia, Filosofia, Economia), apreendendo-as sob a ótica educativa, as Ciências da Educação têm indispensáveis contribuições a oferecer no trabalho de reconceptualização da cientificidade do campo educativo.
  

Referências

BOLTANSKI, Luc e THÉVENONT, L. De la justification, Les économies de la grandeur. Paris: Gallimard, 1991.

CHARBONNEL, Nanine. Pour une critique de la raison éducativeBerne: Peter Lang, 1988.

CORREIA, José Alberto. Para uma Teoria Crítica em Educação. Porto: Porto Editora, 1998.
                  .  A  Construção  Científica  do  Político  em  Educação.   In:  Educação, Sociedade e Culturas. nº 15, p. 19-43. Porto,  2001.

                   e   MATOS,   Manuel.   Solidões  e  Solidariedades  na   Formação  de ProfessoresPorto: Edições ASA, 2001.

DEROUET, Jean-Louis. École et Justice: De l’élegalité des chaces aux compromis locaux. Paris: Éditions  Métalité, 1992.

HABERMAS, Jurgen. Droit et Démocratie. Paris: Gallimard,  1997.

LEITE, Ivonaldo. A Reconfiguração dos sistemas educativos e a formação docente: demandas e alternativas. In: Ciências Hoje.  Porto, março/2006. 

_____________. Sindicatos, trabalho e educação: um estudo do posicionamento do sindicalismo docente brasileiro e português durante a década de 1990. Porto, 2003. Tese de Doutoramento . Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, 2003.


LATOUR, Bruno. Nous n’avons jamais eté modernes – Essai d’anthropologie symétrique. Paris: La Découverte, 1991.

POPEKEWITZ, Thomas S. Sociología Política de las Reformas EducativasMadrid: Morata S. L., 1994.

SIROTA, Régine. Le métier élève: approches sociologiques. In: Revue Française de Pédagogie. nº 121. Paris, 1988.

WALLERSTEIN, Immanuel. The Capitalist World-Economy. Cambridge University Press, 1979.


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