sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Crise, Reforma da Previdência e vias à esquerda: venturas e desventuras

Imagem relacionada

Tratar da Previdência Social brasileira é algo que requer atenção a muitos detalhes, conhecimentos aprofundados e a formulação de alternativas condizentes com o que o tema requer. Infelizmente, o assunto tem ficado prisioneiro de três perspectivas: 1) da visão reacionária, ciosa de extinguir direitos; 2) da representada por segmentos populistas incrustados na esquerda; 3) da difundida pelo estreitismo de grupos isolados de extrema esquerda, que confundem radicalidade com sectarismo. No caso 2, aliás, pretensos textos que têm circulado ultimamente no Facebook e em grupos do WhatsApp bem dizem da precariedade e dos limites das suas posições. Primeiro, seriam reprovados na ortografia (como alguém - pousando como "palmatória do mundo" -  pode ser levado a sério politicamente se não acerta sequer ortograficamente no que escreve?). Além dos chavões e dos lugares-comuns, desatam a fazer 'espumas de palavras', por exemplo, sobre a dívida pública, desconhecendo, por certo, as suas variáveis constituintes, como o perfil dos seus credores (entender a participação dos fundos de pensão nela é desconcertante...) e o truque que foi feito há alguns anos envolvendo endividamento externo e interno, para se dizer que o país havia pago a dívida externa. No fundo, falta posição programática, uma agenda séria e com credibilidade, um programa com propostas efetivas, não se ficando na mera crítica panfletária diante da visão reacionária da extinção de direitos. Como não se tem programa a sério, quando se chega ao governo, adota-se o que se criticava, assumindo-se as propostas dos adversários. Vimos isso em tempos recentes. Pois bem, li atentamente o que foi divulgado pela Fundação João Mangabeira do estudo realizado pelo César Benjamin acerca da Previdência Social e sua reforma.  Parece-me ser uma rara formulação que se constitui como alternativa programática ao debate, respeitando direitos e se dispondo a enfrentar os gargalos da Previdência Social. Acredito que, na discussão sobre o tema, é um ponto de referência para as forças democráticas do país, bem como mesmo, como costuma referir o autor, para se pensar 'uma ideia de Brasil'. O que foi divulgado do estudo pela Fundação João Mangabeira está aqui: http://www.contrapontoeditora.com.br/arquivos/artigos/201612010143400.ReformadaPrevidencia.pdf