segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Oda a la Tristeza

Pablo Neruuda

Tristeza, escarabajo 
de siete patas rotas, 
huevo de telaraña, 
rata descalabrada, 
esqueleto de perra:
Aquí no entras. 
No pasas. 
Ándate. 
Vuelve 
al Sur con tu paraguas, 
vuelve 
al Norte con tus dientes de culebra. 
Aquí vive un poeta.
La tristeza no puede 
entrar por estas puertas. 
Por las ventanas 
entra el aire del mundo, 
las rojas rosas nuevas, 
las banderas bordadas 
del pueblo y sus victorias. 
No puedes.
Aquí no entras. 
Sacude
tus alas de murciélago, 
yo pisaré las plumas 
que caen de tu manto, 
yo barreré los trozos 
de tu cadáver hacia 
las cuatro puntas del viento, 
yo te torceré el cuello, 
te coseré los ojos, 
cortaré tu mortaja 
y enterraré tus huesos roedores 
bajo la primavera de un manzano.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cem Anos de Solidão


Tendo a Serra uma cruz, é a Macondo de cada um 

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de casas de barro e taquara, construída à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las havia que apontá-las com o dedo.

(Gabriel García Márquez, in Cem Anos de Solidão 

Prêmio Nobel de Literatura e um dos maiores escritores de Língua Espanhola de todos os tempos, Gabriel García Márquez  inaugurou uma nova forma de contar histórias assim que resolveu meter-se com as letras. No entanto, é em Cem anos de solidão que se pode notar o amadurecimento completo da técnica narrativa do autor, que mescla a dura realidade da vida na América Central à atmosfera fantástica que aquela terra, ainda tão virgem e selvagem, suscita nas mentes dos que só a conhecem de ouvir falar.
Em seu ensaio Cien años de soledad - Realidad total, Mario Vargas Llosa afirma que a obra-prima de García Márquez é um microcosmo que reflete toda a trajetória da América colonizada, desde a chegada dos europeus até a hecatombe da perda de tudo que foi construído através dos anos e do sumiço de toda a humanidade.
O patriarca José Arcádio Buendía, tal qual um Moisés, conduz seu povo através dos pântanos caribenhos e acaba por chegar àquela que lhes será a terra prometida, a mítica e etérea Macondo, que se inicia no mundo com nada mais vinte casas de barro postadas em um lugar onde o mundo é tão novo que certas coisas ainda não têm nome e precisam ser apontadas com o dedo. Ao povoado chegam os ciganos, que trazem consigo ímãs e gelo, para serem exibidos como se fossem artefatos mágicos, o que, de fato, são para os habitantes dessa terra que ainda têm olhos inocentes, pois nada aconteceu ainda. Com os ciganos vêm os árabes, que contribuem para com a magia de Macondo, e o velho Melquíades, misto de sábio e alquimista, que guiará as empresas amalucadas do patriarca da família.
Macondo e a família dos Buendía seguem caminhos paralelos no livro: a estirpe vai crescendo, o povoado também. Estranhos se imiscuem na hospitalíssima casa, guiados pela forte e enérgica matriarca Úrsula, enquanto imigrantes vão chegando e se instalando nas terras áridas do lugar. Macondo vai se ampliando e se tornando o mundo real, mas sem jamais perder o caráter mágico que é encarado por todos os seus habitantes como o normal de cada dia.
Os Buendía vão se proliferando numa árvore genealógica complexa, em que os nomes se repetem exaustivamente, sem que o mesmo aconteça com as pessoas: cada Buendía é um astro no microcosmo de Macondo, com uma história única e pungente que figura no rol da grande sina da família dos fundadores: nunca entender ou gozar completamente o amor. Cada Buendía, a seu próprio modo, ou foge alucinadamente desse sentimento ou o busca com tanta loucura e ímpeto que o que encontram nunca lhes é o bastante.
Em Cem anos de solidão, Márquez reconstrói o universal através do particular, numa perspectiva completamente diferente de tudo o que já se havia visto na literatura até o lançamento do livro, e Macondo caminha vagarosamente, com os Buendía em seu seio, de sua gênese até o trágico final.
 ___________

Fonte: http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/26/artigo159340-1.asp

Drogas: Quebrando o Tabu - Exibição de documentário


Acontece na próxima sexta-feira (21/11), a partir das 16h30, na UFPB Campus IV/unidade de Mamanguape, a apresentação do documentário 'Quebrando o Tabu', que tenta discutir a questão das drogas com o nível de argumentação que o tema merece. É uma atividade de um Projeto Pibic/CNPq que coordeno, com a colaboração de bolsistas. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ao Atlântico triste


By Leont Etiel 

Este mar
Esta noite
Esta imensa tristeza
Nas ondas atlânticas
O futuro é o que será
Máxima romântico-surrealista a cair-se
Não digas, não digas
Que será o agora
O que vem 

Convite - A Pesquisa em Ciências Humanas


https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTmDHLiMnOQHcdx6EaS8AANPuyF0CP-LiW2AEdw3QHtUG0M4mka


UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS APLICADAS E EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO
Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Sociedade e Culturas (GEPEDUSC)/CNPq

A Ciência e o ser humano: sentido para a vida 

Palestra: A Pesquisa em Ciências Humanas
Palestrante: Prof. Doutor  Fernando Bessa Ribeiro  (Universidade de Trás-os-Montes e Alto
 Douro - UTAD/Portugal)
Data: 10 /12/2014
Local: UFPB – Unidade de Mamanguape
Horário: 9h00


Realização: Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Sociedade e Culturas (GEPEDUSC)/CNPq

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Eleições CCAE-UFPB: Cinco pontos para a vitória

 

Por Ivonaldo Leite 

Tenho recebido uma quantidade razoável de solicitações pedindo uma manifestação sobre as eleições para a Direção do CCAE-UFPB. Antes de tudo, grato pela atenção, mas, nem de longe, tenho a intenção de ser bússola para decisões que devem repousar sobre a consciência individual de cada um.
Em verdade, tenho-me mantido equidistante das lides da política universitária. Na última eleição para Reitor da UFPB, fui o redator, no CCAE, do manifesto de apoio à chapa vitoriosa, e também o seu primeiro subscritor (isto está aqui: https://groups.google.com/forum/#!topic/professorjoaomarcelo/jmJv11cnL6w). Contudo, desde que deixei a Chefia do Departamento de Educação, as minhas prioridades têm sido outras, dentre as quais a pesquisa. De resto, não interagi com o processo de formação de nenhuma das chapas que estão concorrendo à Direção do Campus IV.
Nos últimos dias, todavia, procurei me inteirar mais do processo eleitoral, até porque não pretendo me omitir. E também para, em atenção às solicitações que me têm sido dirigidas, expressar alguma manifestação pública sobre o pleito. Faço isso a seguir, em forma de comentários eminentemente analíticos, ancorados no que, penso eu, deve balizar a análise racional de qualquer fenômeno social, como uma eleição. Daí entender que existem alguns  pontos que são essenciais para uma chapa sagrar-se vitoriosa no atual pleito para a Direção do CCAE. Dentre eles, destaco cinco:

1) Originalidade e criatividade na formulação de propostas.

2) Disposição para fazer as coisas acontecerem com agilidade no Centro, afirmando a autonomia e os interesses acadêmicos do CCAE.  

3) Postulação, como alternativa colocada na disputa eleitoral, resultante de construção genuína e dialogada; não artificial.  

4) Abandono do retrovisor; olhar para a frente e construir o futuro do CCAE.

5) Demonstração de conhecimento das especificidades do Centro e do seu entorno.

A equação do voto nos cinco pontos para a vitória – rápido ensaio do jogo das variáveis: 1, 2, 4 e 5, articulados, têm forte poder de sensibilização sobre os três segmentos (professores, servidores técnicos e estudantes); 3 chama a atenção do conjunto dos segmentos, mas muito do corpo docente; em 2, a agilidade é um item com significativo poder de influência sobre os servidores técnicos (celeridade e condições de trabalho); a última parte de 5 é fundamental para a assimilação entre os estudantes (demonstração de conhecimento da realidade/origem deles).
Em Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais, o cientista social Antonio Lavareda deixa transparecer como a conquista do voto e a construção das vitórias dependem mais de ‘variáveis articuladas’ e do acionamento de dispositivos intra-simbólicos do que do modo mainstream  de se formar chapas e fazer campanha. Os cinco pontos anteriormente elencados, mutatis mutandis, colocam-se nessa lógica. Desconsiderá-los significa não só andar meio caminho em direção ao malogro na disputa, mas também não tomar devidamente em conta o significado do momento eleitoral para o debate sobre o futuro do CCAE. Em suma, os cinco pontos referidos são pontos para a vitória, para a vitória de toda a comunidade que constitui o Campus IV.        


O espelho e a máscara



The happy donor - Rene Magritte
The happy donor, de René Magritte 

Jorge Luís  Borges 

Librada la batalla de Clontarf, en la que fue humillado el noruego, el Alto Rey habló con el poeta y le dijo:
-Las proezas más claras pierden su lustre si no se las amoneda en palabras. Quiero que cantes mi victoria y mi loa. Yo seré Eneas; tú serás mi Virgilio. ¿ Te crees capaz de acometer esa empresa, que nos hará inmortales a los dos?
-Sí, Rey -dijo el poeta-. Yo soy el Ollan. Durante doce inviernos he cursado las disciplinas de la métrica. Sé de memoria las trescientas sesenta fábulas que son la base de la verdadera poesía. Los ciclos de Ulster y de Munster están en las cuerdas de mi arpa. Las leyes me autorizan a prodigar las voces más arcaicas del idioma y las más complejas metáforas. Domino la escritura secreta que defiende nuestro arte del indiscreto examen del vulgo. Puedo celebrar los amores, los abigeatos, las navegaciones, las guerras. Conozco los linajes mitológicos de todas las casas reales de Irlanda. Poseo las virtudes de las hierbas, la astrología judiciaria, las matemáticas y el derecho canónico. He derrotado en público certamen a mis rivales. Me he adiestrado en la sátira, que causa enfermedades de la piel, incluso la lepra. Sé manejar la espada, como lo probé en tu batalla. Sólo una cosa ignoro: la de agradecer el don que me haces.
El Rey, a quien lo fatigaban fácilmente los discursos largos y ajenos, le dijo con alivio:
-Sé harto bien esas cosas. Acaban de decirme que el ruiseñor ya cantó en Inglaterra. Cuando pasen las lluvias y las nieves, cuando regrese el ruiseñor de sus tierras del Sur, recitarás tu loa ante la corte y ante el Colegio de Poetas. Te dejo un año entero. Limarás cada letra y cada palabra. La recompensa, ya lo sabes, no será indigna de mi real costumbre ni de tus inspiradas vigilias-
-Rey, la mejor recompensa es ver tu rostro-dijo el poeta, que era también un cortesano.
Hizo sus reverencias y se fue, ya entreviendo algún verso.
Cumplido el plazo, que fue de epidemias y rebeliones, presentó el panegírico. Lo declamó con lenta seguridad, sin una ojeada al manuscrito. El Rey lo iba aprobando con la cabeza. Todos imitaban su gesto, hasta los que agolpados en las puertas, no descifraban una palabra. Al fin el Rey habló.
-Acepto tu labor. Es otra victoria. Has atribuido a cada vocablo su genuina acepción ya cada nombre sustantivo el epíteto que le dieron los primeros poetas. No hay en toda la loa una sola imagen que no hayan usado los clásicos. La guerra es el hermoso tejido de hombres y el agua de la espada es la sangre. El mar tiene su dios y las nubes predicen el porvenir. Has manejado con destreza la rima, la aliteración, la asonancia, las cantidades, los artificios de la docta retórica, la sabia alteración de los metros. Si se perdiera toda la literatura de Irlanda -omen absit- podría reconstruirse sin pérdida con tu clásica oda. Treinta escribas la van a transcribir dos veces.
Hubo un silencio y prosiguió.
-Todo está bien y sin embargo nada ha pasado. En los pulsos no corre más a prisa la sangre. Las manos no han buscado los arcos. Nadie ha palidecido. Nadie profirió un grito de batalla, nadie opuso el pecho a los vikings. Dentro del término de un año aplaudiremos otra loa, poeta. Como signo de nuestra aprobación, toma este espejo que es de plata.
-Doy gracias y comprendo -dijo el poeta. Las estrellas del cielo retornaron su claro derrotero. Otra vez cantó el ruiseñor en las selvas sajonas y el poeta retornó Con su códice, menos largo que el anterior. No lo repitió de memoria; lo leyó Con visible inseguridad, omitiendo ciertos pasajes, Como si él mismo no los entendiera del todo o no quisiera profanarlos. La página era extraña. No era una descripción de la batalla, era la batalla. En su desorden bélico se agitaban el Dios que es Tres y es Uno, los númenes paganos de Irlanda y los que guerrearían, centenares de años después, en el principio de la Edda Mayor. La forma no era menos curiosa. Un sustantivo singular podía regir un verbo plural. Las preposiciones eran ajenas a las normas Comunes. La aspereza alternaba Con la dulzura. Las metáforas eran arbitrarias o así lo parecían.
El Rey cambió unas pocas palabras Con los hombres de letras que lo rodeaban y habló de esta manera:
-De tu primera loa pude afirmar que era un feliz resumen de cuanto se ha cantado en Irlanda. Ésta supera todo lo anterior y también lo aniquila. Suspende, maravilla y deslumbra. No la merecerán los ignaros, pero sí los doctos, los menos. Un cofre de marfil será la custodia del único ejemplar. De la pluma que ha producido obra tan eminente podemos esperar todavía una obra más alta.
Agregó con una sonrisa: -Somos figuras de una fábula y es justo recordar que en las fábulas prima el número tres.
El poeta se atrevió a murmurar: -Los tres dones del hechicero, las tríadas y la indudable Trinidad. El Rey prosiguió: -Como prenda de nuestra aprobación, toma esta máscara de oro.
-Doy gracias y he entendido -dijo el poeta. El aniversario volvió. Los centinelas del palacio advirtieron que el poeta no traía un manuscrito. No sin estupor el Rey lo miró; casi era otro. Algo, que no era el tiempo, había surcado y transformado sus rasgos. Los ojos parecían mirar muy lejos o haber quedado ciegos. El poeta le rogó que hablara unas palabras con él. Los esclavos despejaron la cámara.
-¿No has ejecutado la oda? -preguntó el Rey; -Sí -dijo tristemente el poeta-. Ojalá Cristo Nuestro Señor me lo hubiera prohibido.
-¿Puedes repetirla?.: -No me atrevo.
-Yo te doy el valor que te hace falta -declaró el Rey.
El poeta dijo el poema. Era una sola línea. Sin animarse a pronunciarla en voz alta, el poeta y su Rey la paladearon, como si fuera una plegaria secreta o una blasfemia. El Rey no estaba menos maravillado y menos maltrecho que el otro. Ambos se miraron, muy pálidos.
-En los años de mi juventud -dijo el Rey- navegué hacia el ocaso. En una isla vi lebreles de plata que daban muerte a jabalíes de oro. En otra nos alimentamos con la fragancia de las manzanas mágicas. En otra vi murallas de fuego. En la más lejana de todas un río abovedado y pendiente surcaba el cielo y por sus aguas iban peces y barcos. Éstas son maravillas, pero no se comparan con tu poema, que de algún modo las encierra. ¿Qué hechicería te lo dio?
-En el alba -dijo el poeta- me recordé diciendo unas palabras que al principio no comprendí. Esas palabras son un poema. Sentí que había cometido un pecado, quizá el que no perdona el Espíritu.
-El que ahora compartimos los dos -el Rey musitó-. El de haber conocido la Belleza, que es un don vedado a los hombres. Ahora nos toca expiarlo. Te di un espejo y una máscara de oro; he aquí el tercer regalo que será el último.
Le puso en la diestra una daga. Del poeta sabemos que se dio muerte al salir del palacio; del Rey, que es un mendigo que recorre los caminos de Irlanda, que fue su reino, y que no ha repetido nunca el poema.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Você e o destino - Igor Leite

Igor Leite, delegado de polícia em Pernambuco, já tem sido aqui referido. Por exemplo,  com a ficção 'No Veneno da Bala'. Desta feita trago-o a este espaço com uma incursão na 'questão do destino'. O título original do texto é 'E Você? Acredita em Destino?' (texto recebido por e-mail). Seja como for, o 'tema destino' é sempre atual, e imprevisto. Mas, cá entre nós, as consequências do que se pratica podem decidir o destino do praticante. Que se pense bem nas consequências do praticado! Os efeitos reativos, por vezes, tendem ao 'calculismo frio', produzindo surpresas desagradáveis. Coisas da, digamos, 'decorrências imprevistas da ação'. Bom, o destino está na sua mão. Estou de acordo com Igor Leite. 


Por Igor Leite

Estaríamos apenas trilhando um caminho que não podemos em nada modificar? A noção de um destino que não podemos mudar vem dos primórdios da filosofia greco-romana, mais especificamente de uma escola filosófica denominada fatalismo. Segundo esses pensadores, nasceríamos com um destino já traçado e que não poderia jamais ser modificado. Os gregos tinham até a figura mitológica das Deusas Moiras, que seriam três irmãs que determinariam o destino dos homens e até dos demais deuses gregos. Mas aceitar um destino imutável parece uma forma passiva e sem graça de viver. Segundo esse conceito, não importam as escolhas que façamos. Estaríamos, fatalmente, descendo a corredeira incontrolável do destino. Não teríamos qualquer responsabilidade sobre nosso futuro e estaríamos apenas cumprindo um plano superior.
O filósofo e escritor francês Sartre ousou discordar do conceito imutável de destino. Teve as obras abolidas e proibidas pela igreja católica, por serem consideradas nocivas aos valores religiosos e de ordenação da sociedade. Sobre o destino, Sartre disse apenas que inexistiriam planos ou destinos maiores e traçados por alguma divindade, sendo o homem o verdadeiro e único escritor do roteiro da própria vida. Seríamos então os autores de nosso próprio destino, que muda com cada escolha que fazemos, todos os dias. Essa noção valoriza nossas decisões, fazendo com que tenhamos responsabilidade por nosso futuro e vida. O existencialismo de Sartre parece ser mais saudável do que o fatalismo grego ou religioso. Sartre dizia que a humanidade prefere a não-liberdade do que a angústia de ter que escolher o próprio destino dentre milhares de possibilidades. E com medo da liberdade, o homem fica preso a escolhas passadas, que muitas vezes são a origem de infelicidade e problemas diversos.
Os gregos que me perdoem, mas tenho que concordar com Sartre. Escolher nosso destino e ser responsável por ele pode ser muito mais difícil do que aceitar um destino imutável. Mas, em compensação, ter as rédeas da própria vida e ser responsável por um futuro com quase infinitas possibilidades produz, no olhar, um brilho mágico e estelar.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Declaración del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales - México


Frente a los crímenes contra los estudiantes normalistas de Ayotzinapa (
​Estado​
 de Guerrero, México), el Comité Directivo 
​y la Secretaría Ejecutiva ​
del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), manifiesta
​n​
:

​a​
) El contexto de este horrible crimen es la agresión en contra del magisterio mediante las políticas de privatización de la educación, los actos represivos constantes y una campaña mediática racista y
​degradante 
de los estudiantes y egresados de las Escuelas Normales Rurales de México, que tiene su correlato en otros países de América Latina, y se enmarca en las criminalizaciones y segregaciones que sufren las y los jóvenes en diferentes países y regiones de América Latina.

​b​
) El asesinato de tres estudiantes en Iguala, Guerrero, y la desaparición forzada de cuarenta y tres más, todos ellos de la Escuela Normal Rural de Ayotzinapa “Raúl Isidro Burgos”, ocurrido el 26 de septiembre de 2014, constituye un crimen de lesa humanidad al cual deben responder con justicia pronta las autoridades.

​c​
)
​ ​
Nos unimos al repudio que las universidades, docentes, personal de investigación, comunidades científicas y organizaciones sociales han manifestado frente a este grave crimen y nos solidarizamos con los estudiantes de la Normal Rural de Ayotzinapa y con los familiares de los estudiantes asesinados y desaparecidos. Asimismo, nos unimos a las voces y acciones de protesta pacífica que se han manifestado en América Latina y el Caribe.

​d​
)
​ ​
Demandamos a las autoridades la aparición con vida de los estudiantes desaparecidos, el cese de represalias y hostigamiento a los estudiantes de la Normal de Ayotzinapa, sus familiares, y a los estudiantes en general, el esclarecimiento de los crímenes y el castigo de los responsables materiales e intelectuales.

​e​
)
​ ​
Hacemos nuestra​
​ ​
la demanda por justicia que los diferentes sectores expresan en México, América Latina y alrededor del mundo: “¡Vivos se los llevaron, vivos los queremos!
​"​


​Comité Directivo y Secretaría Ejecutiva de CLACSO
Reunidos en Medellín, Colombia, en su 90º Sesión Ordinaria
Noviembre de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Ecos do Romantismo

Foto: photo © Reeve Lim


Por Jorge Herique 

Salta aos olhos, tanto do leitor cultivado pelos estudos acadêmicos quanto daquele leigo, a relevância que teve para a modernidade ocidental a revolução promovida pelas inovações da estética romântica.  Pode-se, sem extremos esforços de imaginação, perceber, por exemplo, a herança da subjetividade romântica na produção simbolista; os vestígios de seu ufanismo nos textos de cunho nacionalista que lhe foram subseqüentes (os modernos da Semana de 22, a título de crítica, retomam os românticos e fazem o mesmo que fizeram – desta vez, por caminhos diferentes!); os laivos de seu sentimentalismo exagerado na produção massificada de músicas populares, tão atraentes ao gosto do povo brasileiro, que se mantém ainda muito “romântico” até nossos dias; e não seria fora de propósito encontrar, por exemplo, no "Surrealismo", cujo aspecto niilista enfatizava o papel do inconsciente na atividade criadora, uma forma, talvez mais aguçada ou degenerada, da negação do racionalismo que percebemos nos românticos.  Pode-se afirmar, contudo, que, dentre todas as suas contribuições, seu rompimento com os modelos clássicos, sua proposta de liberdade é, sem dúvida, crucial para arte moderna.
Pensar o artista como um ser regido por normas e modelos fixos e fixadores é, no mínimo, um crime.  Entretanto, é óbvio, que não se pode também deixar vagar a imaginação sem o mínimo critério estético, permiti-la fazer os mais desconcertantes devaneios e, ao cabo, chamar-lhe o produto dos delírios de arte.
É difícil determinar o limite entre a descarga emotiva natural e a “subjetividade objetiva” que se espera do artista das letras.  Houve poetas românticos que não conseguiram frear seus impulsos interiores e produziram calorosos (quem sabe poéticos) desabafos.  Muitos poetas de ontem e de hoje começaram sua vida literária pela veia emotiva.  Deixaram-se levar pelas sensações e começaram a produzir textos.  Talvez a comoção seja a forma mais natural de se iniciar na vida artística e literária.
Alguns poetas românticos, no entanto, a exemplo de Gonçalves Dias, souberam dosar de maneira equilibrada os arroubos da emotividade e as inúmeras vantagens que uma forma mais livre poderia possibilitar para a construção do artefato poético.
Exemplo inconteste disso é o seu poema “Tempestade”, em que une aos aspectos formais os temáticos ao sabor da necessidade, seguindo princípios de liberdade formal bem definidos por ele mesmo no prefácio aos “Primeiros Cantos”:

“Muitas delas (as poesias) não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir  “.

O poema “Tempestade” se inicia com uma estrofe de duas sílabas.  Descreve-se, neste momento, a mudança do clima que dará início a uma tempestade.  À medida que o clima vai se tornando mais denso, mais intenso, o número de sílabas por estrofe aumenta: a segunda com três sílabas; a terceira com quatro, e assim por diante até o verso undecassílabo que coincide com o momento mais intenso da tempestade descrita no poema.  A densidade do fenômeno natural é reforçada a todo o momento pela estrutura das estrofes e pelos jogos sonoros produzidos por aliterações e assonâncias.  Após o momento mais intenso, a chuva vai diminuindo, o clima vai voltando ao que era antes, e em harmonia com o desenvolvimento da descrição, os versos das estrofes vão reduzindo seu número de sílabas até a estrofe dissilábica final.  O mesmo recurso funcional da forma acontece no “I – Juca Pirama”.   O ritmo heptassílabo é posto a serviço da temática textual ao longo de boa parte do poema, figurando ora ritmos de músicas rituais indígenas (como a do momento inicial do poema), ora criando atmosferas de luta e de profundo sentimentalismo.
Graças a estas ‘liberdades’ a que os românticos se deram o direito, pode-se imaginar a profundidade das inovações que a arte moderna deu ao legado cultural que lhe foi deixado pela arte clássica.  As contribuições da poesia moderna desprenderam as palavras das amarras fixas de modelos predeterminados para deixá-las livres a descortinar toda a gama de significações que se lhe venham, tanto de seu aspecto semântico e sonoro quanto de seu aspecto visual e espacial.  A poesia concreta é exemplo disso.  A paródia feita a um clássico romântico “Canção do Exílio” por José Paulo Paes é prova do que a liberdade das formas pode possibilitar ao trabalho semântico e estético do texto:

“Lá?
Ah!

Sabiá...
Papá...
Maná...
Sofá...
Sinhá...

Cá?
Bah!”

Num poema profundamente denso e criativo, o poeta satiriza o sentimento de exílio expresso na “Canção” e o aborda com maior intensidade poética quando isola textualmente os dois pólos do dilema: “Lá” e “cá”.  Explora o poeta a sonoridade dos dois monossílabos opondo-os semanticamente pela própria oposição que se estabelece entre os aspectos constritivo e oclusivo, respectivamente, dos fonemas /l/ e /k/.  A oclusão, que figura como todas as formas de obstáculos que se podem oferecer ao “eu-lírico”, está presente no “cá” (o exílio), enquanto o “lá” (o lar) oferece menos empecilhos à realização.  O “lá” também é mais livre, posto que é caracterizado pela interjeição “Ah!”, que, por si, comunica tudo (veja-se a ausência de barreiras à passagem do ar para se pronunciá-la).  Enquanto o “cá”, caracterizado pela interjeição “Bah!”, é todo obstáculos (note-se a oclusiva bilabial /b/ que simboliza as barreiras que o “eu” enfrenta).  Acrescente-se ainda o ritmo imposto pelos versos dissilábicos do corpo do texto (melodiosos, tranqüilos, suaves), que caracteriza exatamente o “lá”.
O salto qualitativo que a arte literária moderna deu no que diz respeito ao trabalho semântico na palavra, à exploração estética de todas as suas dimensões, ao uso da forma de maneira funcional, que contribuiu – acredito – para a evolução do idioma, não seria possível sem os românticos.  Seus devaneios libertaram as palavras.  Sua proposta modificou a cultura ocidental de maneira marcante. E sua contribuição não se restringiu apenas à poesia.  O seu rompimento com as convenções clássicas se estendeu ao drama, à prosa, à musica, à pintura e à escultura.  Depois do Romantismo, a arte ocidental é outra.
-------------
Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1230410