quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Escrever - o eu, o nós.

"Escrever é desaparecer na morfina dos hemisférios dos ofícios sem esperar retorno, sem esperar os rebocos das fendas baptismais, transplantando gritos da tremenda lucidez sob locomotivas acesas de pensamento____hospícios irrefreáveis aglutinam-se e se espalham simultaneamente, anonimamente para tentarem dilacerar o possível poema: dar vida adentro dos travessamentos da morte (carcaças enfeitiçadas, expiadas e aguilhoadas entre os baques das transumâncias e os arados a-sígnicos dos engolfamentos inconscientes): revelar-se nos hiatos-zoológicos de si próprio antes de se abrir aos brônquios portuários-ocasionais da semanturgia e prosseguir rés aos ecos dos escorpiões do mundo, à memória aquática gangrenada pela lactescência cosmogónica_____mímica estética acompanha as tentativas das descodificações-uivantes; escrever é urdir dilemas placentários incomensuráveis, é cartografar interferências geológicas, é gaguejar nas intersecções repulsadas, é desvendar impiedosamente ARABESCOS nas foices das caiadoras de cometas inalcançáveis_____acontecer soberanamente no corpo hipnótico-jazzístico das medusas que absorvem expressões-contraditórias plantadoras de migrações clandestinas e de refúgios propiciatórios de desaparecimentos onde as escalas da correnteza dos resíduos arrepanham diferenças arteriais, obeliscos labirínticos, transmutações siderúrgicas desmanteladas pelos olhares ancestrais-da-agoridade que jamais abocarão a visibilidade completa (nos rituais dos desertores hipnógenos há círculos de corvos assopradores de caligrafias obsessivas: incorporar os rumores dos insectos da gravitação de ex-critas nas embarcações de mortalhas cruzadoras de cabeças-delirantes_______escrever imperceptivelmente com os alvéolos das escavações medulares, chacoalhando as malhadeiras dos bestiários: aqui, as sanguessugas fundentes assinalam as catástrofes necessárias aos rastros das metástases da palavra em recomeço contínuo: ascendentes de enciclopédias vitícolas garatujam-se com as falanges prenhes de urtigas giratórias e nas incertezas das invaginações-silabárias os instantes do espanto serão sempre uma vigília das cartomantes!)."

(Luis Serguilha, in Embarcações, Porto: Campo das Letras, 2007)

Não perguntem por quem os sinos dobram; eles dobram por Mariana

Para uma reflexão sobre meio ambiente, 'desenvolvimento insustentável' capitalista e governo. Enquanto as conferências do clima, realizadas há anos mundo a fora, não passam de faz de conta. Quando muito têm servido para turismo de evento e acadêmico. 

Lama da mineradora Samarco em Mariana (MG) se espalha pela foz do rio Doce na praia de Regência em Linhares (ES)
"Lama" da mineradora Samarco, em Mariana (MG), se espalha pela
 foz do rio Doce na praia de Regência em Linhares (ES)
(Foto: Fabio Braga, Folhapress) 

Por João Lara Mesquita 

O desastre de Mariana, possivelmente, é o pior acidente ambiental brasileiro. Além de soterrar comunidades, matando 11 pessoas, e deixando 8 desaparecidos até agora, provocou a morte do rio Doce.
O Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), de Baixo Guandu (ES), analisou a água do rio e encontrou metais pesados: chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio.
"O rio está morto, o cenário é o pior possível", disse Luciano Magalhães, diretor do Saae. Morte anunciada em razão de uma legislação frouxa e inexistência de fiscalização.
Além da Samarco, propriedade da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, o governo federal também deveria ser punido; afinal, a responsabilidade é dele.
O Código de Mineração, no capítulo 2º, artigo 21º, inciso 24, estabelece que "compete à União organizar, manter e executar a inspeção do trabalho".
Já o capítulo 1º, artigo 174, é claro: "Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado".
Infelizmente, como denuncio em meu trabalho, a ausência de fiscalização é unânime em todas as comunidades nativas do litoral.
A Folha noticiou, em junho passado, que o principal órgão de controle ambiental do governo federal, o Ibama, tem apenas três barcos em atividade para fiscalizar os mais de 7.300 km do litoral brasileiro.
Em entrevista para o site "Mar sem Fim" (www.marsemfim.com.br), Maria Tereza Jorge Pádua, um dos ícones do ambientalismo brasileiro, sentenciou: "o meio ambiente nunca foi prioridade no Brasil".
Alguém duvida?
Fui aos sites. Descobri que a "missão" da Vale é "transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável". Desconfio de quem se diz "verde", "sustentável", "eco isso ou aquilo". Cansei de ver a destruição do litoral por empresas que abusam do jargão.
De toda forma, continuei a leitura. A Vale lista no site seis valores que norteiam a atuação da empresa. O primeiro e o terceiro foram duros de engolir. Respectivamente, "a vida em primeiro lugar" e "cuidar de nosso planeta". Argh!
O pior estava por vir. Vasculhando sobre a BHP, a casa caiu. O governo federal foi tão omisso que não se preocupou com o histórico de acidentes da empresa.
A BHP Billiton, ao contrário de Midas, tem dedo podre. Acidentes graves são frequentes onde atua. Um dos piores aconteceu em Papua-Nova Guiné, ao abrir uma mina de ouro e cobre, a OK Tedi Copper Gold Mine, em 1984.
Durante 20 anos despejou, dia após dia, 80 mil toneladas de rejeitos contendo cobre, cádmio, zinco e chumbo, diretamente na bacia do rio Fly, o que arruinou terras de milhares de agricultores, envenenando 2.000 quilômetros quadrados de floresta. E detonou dois rios, o Fly e o Ok Tedi.
Para fugir das responsabilidades, assinou acordos com líderes comunitários, que isentaram a empresa do pagamento de indenizações.
ONGs informaram que "ao conversarem com os nativos, ficou claro que eles não sabiam o que estavam assinando". O histórico da BHP gerou um relatório alternativo, "BHP Billiton Dirty Energy", informando sobre a destruição de comunidades na Colômbia, acidentes na Indonésia e Austrália.
Já o "Mining Journal" cita outros, como o da mina de cobre em Pinto Valley, Arizona (EUA).
Só o Brasil oficial não sabia?
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Fonte: Folha de São Paulo, versão para assinantes, edição do dia 02/12/2015. Título original: 'Só o Brasil oficial não sabia?'


Viajantes no tempo

Conta uma narrativa do Oriente que um jovem chegou a um oásis, próximo de um povoado, e aproximando-se de um velho sábio, perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoas vive neste lugar?
– Que tipo de pessoas vive no lugar de onde vens? – Perguntou o sábio.
– É um grupo de pessoas egoístas e malvadas, replicou o rapaz, estou satisfeito de ter saído de lá.
O sábio respondeu.
– Aqui encontrarás o mesmo.
No mesmo dia, um outro jovem aproximou-se do oásis para beber água e, vendo o sábio, perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoas vive aqui?
O sábio respondeu com a mesma pergunta:
– Que tipo de pessoas vive no lugar de onde vens?
O rapaz respondeu-lhe:
– É um magnífico grupo de pessoas amigas, honestas e hospitaleiras. Fiquei um pouco triste por ter de deixá-las.
– O mesmo encontrarás aqui, respondeu o sábio.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao sábio:
– Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
O sábio respondeu-lhe:
– Cada um carrega no seu coração o meio em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo, e o futuro de cada um está escrito no passado; ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Alçar a palavra

"A reassunção da língua sem rostos-massílios enrola-se na vetustez dos ergástulos, fendilhando as emboscadas da página mântrica: nestas golpeaduras desconexas, as longitudes lunares embutidas nos crematórios instantâneos reconhecem criativamente tudo que reemerge entre os estertores das vértebras venesianas para reencetar a visão-da-visão-do-restauro-sacro-ilíaco e da espera-afã prematura: alçar a palavra no inatingível heteromórfico, sendo o olifante-poema o próprio fora entecortado por si mesmo, pela sua repulsão defronte às espáduas esfalfadas sem perspectiva justamarcial: apenas são sugeridos vestígios confessionais de Bosch nos açodamentos das ínfulas debruçadas diante das antecâmaras das latências suicidas: um GRITO nos bastidores da luxúria das escarpas animalizantes arranca as águas das trincheiras passeriformes às leitoras, avisando-as dos prefixos indicativos dos falsários: aqui, a troca de olhares-de-incensórios fabrica a revelação lúbrica dentro da fome canina de uma prece inacabável com invisibilidades-insubmissas às prescrições dos halos cerebrais."
(Luis Serguilha, in Khamsin-Morteratsch, São Paulo: Editora Arte-Livros, 2011). 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Canção do novo mundo


Educação, aprendizagem e fator socioeconômico

Do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento (LND)/UFMG

Estudos relacionados à aprendizagem são cada dia mais comuns no campo da Psicologia e das neurociências, tanto com o objetivo de entender os processos cerebrais envolvidos, quanto para verificar os fatores que influenciam e fazem com que o processo da aprendizagem seja tão diverso de indivíduo para indivíduo. Esse entendimento é de extrema importância para o conhecimento acadêmico e também para o desenvolvimento de políticas públicas que proporcionem melhor qualidade de ensino e facilite o aprendizado para todos. Nesse texto, será trabalhada a relação do desenvolvimento cognitivo e os fatores ambientais que podem estar correlacionados a esse aspecto, focando principalmente na correlação com o nível socioeconômico (NSE).
A aprendizagem pode estar associada a dois fatores, o genético e o ambiental. No fator genético, pode-se inserir a influência de questões hereditárias, como a inteligência, e características da própria pessoa, como memória. Já o fator ambiental está relacionado aos estímulos externos à pessoa e aspectos sociais, como por exemplo, o NSE. A definição do NSE ainda não está bem delimitada. Questões como a maneira mais adequada para medir o NSE e os pontos econômicos e sociais mais relevantes não possuem um consenso universal entre os pesquisadores; as análises variam de estudo para estudo. Apesar de algumas divergências, a maioria aborda aspectos como escolaridade, condição e atividade laboral, o prestígio no trabalho e renda familiar. No Brasil, a análise do nível socioeconômico é feita principalmente pelo questionário “Critério Brasil” (disponível em: http://www.abep.org/criterio-brasil), que aborda alguns dos aspectos citados anteriormente, como escolaridade dos pais, a renda familiar e a posse de alguns bens materiais.
Apesar do nível socioeconômico não ser uma variável tão bem definida, ela possui uma relação direta com a aprendizagem. Para avaliar essa correlação é preciso considerar outro fator relevante, a idade. Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, a influência da classe social na aprendizagem varia de acordo com a idade, principalmente das crianças. A influência do ambiente no desenvolvimento cognitivo é diretamente proporcional à idade, logo, quanto mais velha a pessoa, maior a influência ambiental/social e menor a genética. A partir de um estudo realizado por Maciej Trzaskowski (2014), com 11000 gêmeos, foi possível perceber que há uma correlação entre a genética e o desempenho cognitivo de 0,6, isso significa que a hereditariedade exerce uma influência muito grande sobre o aprendizado da criança. Além disso, o estudo mostrou que essa relação vai diminuindo com o tempo. Aos 7 anos de idade, a correlação é de 94%, já aos 12 anos de idade essa proporção passa a ser de 54%, havendo assim uma influência maior do ambiente, principalmente do ambiente não compartilhado (ambiente escolar, grupo de amigos).De maneira geral, independente da idade, é possível observar a relação entre o NSE e a aprendizagem, principalmente da matemática e da leitura/escrita. Crianças que pertencem a uma classe econômica superior possuem maior facilidade na aquisição desses conhecimentos. Ainda não foi encontrado uma causa para essa diferença entre classes, contudo, pode-se supor que isso ocorre devido ao meio em que a criança se encontra. Entre os diversos níveis sociais há uma grande diferença na quantidade de estímulos presentes no ambiente familiar, o que pode contribuir para um desenvolvimento mais rápido de crianças de NSE mais alto, já que tendem a ter contato com maior quantidade de livros, brinquedos educativos, e também maior incentivo por parte dos pais. Além disso, as pessoas dessa classe social proporcionam acesso mais cedo à educação e também investem mais nessa área por meio de instituições de ensino, como creches e escolas de boa qualidade.
Outra diferença encontrada entre crianças de níveis socioeconômicos distintos são as regiões de ativação cerebral. Uma pesquisa realizada com 1099 indivíduos com desenvolvimento típico, entre 3 a 20 anos de idade, utilizou a técnica de imagem funcional por ressonância magnética (fMRI) (Noble et al., 2015). A partir das observações feitas, foi possível concluir que há diferença nas regiões de ativação cerebral das crianças de diferentes NSE. Nesse estudo foi possível perceber que crianças de nível econômico mais alto possuem a ativação em regiões mais homogênea e concentrada, ou seja, as ativações aconteceram em regiões menos dispersas. Também foi possível observar que as ativações ocorreram em regiões parecidas entre crianças de mesma classe. Em crianças pertencentes a classes socioeconômicas mais baixas, as ativações ocorreram de maneira mais dispersa, espalhadas por diversas áreas do córtex, logo, a ativação cerebral nessas crianças não era tão específica e localizada e havia uma grande variabilidade de ativação entre os sujeitos deste grupo. Apesar da variação das regiões de ativação cerebral entre as crianças de diferentes níveis sociais, não é possível afirmar que todos os processos cerebrais sofrem influência desse fator. Pesquisas realizadas apontam que existem áreas específicas do domínio cognitivo que sofrem influência do NSE. Foram encontradas correlações significativas apenas entre os processos da linguagem, como consciência fonológica e alguns dos processos das funções executivas. 
Ainda existem muitas questões a serem abordadas e estudadas. Em relação ao NSE ainda permanece uma questão que dificilmente vai obter uma resposta objetiva e única: “Será que o desempenho cognitivo da pessoa vai ser determinante para designar em qual nível econômico essa pessoa vai se encaixar? Ou o nível socioeconômico da criança vai influenciar a maneira como o desenvolvimento cognitivo vai acontecer?” Encontrar respostas para essas perguntas é uma tarefa extremamente complicada, pois assim como a pergunta “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”, não é possível separar essas duas questões. Contudo, se fosse possível encontrar o que causa o que, ajudaria a compreender mais profundamente o funcionamento da cognição humana e a determinar quais fatores são os mais influentes nesse processo. Mesmo sem essas soluções, o estudo da correlação entre o NSE e a aprendizagem é de suma importância para diversas áreas do conhecimento, como a Psicologia, Neurociência e a Pedagogia. Além dessas áreas de conhecimento, é possível identificar a relevância disso para a sociedade e principalmente para a elaboração de políticas públicas que visem o desenvolvimento social e de práticas educacionais que possam suprir a diferença econômica e social das crianças de classes mais baixas.

REFERÊNCIAS:
ALVES, M. T. G., Soares, J. F., MEDIDAS DE NÍVEL SOCIOECONÔMICO EM PESQUISAS SOCIAIS: UMA APLICAÇÃO AOS DADOS DE UMA PESQUISA EDUCACIONAL. Opinião Pública, Campinas,  p.1-30, v. 15, nº 1, Junho, 2009
CARO, D. H, SOCIO ECONOMIC STATUS AND ACADEMIC ACHIEVEMENT TRAJECTORIES FROM CHILDHOOD TO ADOLESCENCE, Canadian Journal of Education, p. 558-590, 2009
HERNANDEZ, M., THE RELATIONSHIP BETWEEN MATHEMATICS ACHIEVEMENT AND SOCIO-ECONOMIC STATUS,  Florida International University and Palm Beach State College Spring, 2014
NOBLE, K. G., et al, FAMILY INCOME, PARENTAL EDUCATION AND BRAIN STRUCTURE IN CHILDREN AND ADOLESCENTS. Nature Neuroscience, v.18, nº 5, may 2015
TRZASKOWSKI, M., Harlaar, N., Arden, R., Krapohl, E., Rimfeld, K., McMillan, A.,  Dale, P. S., Plomin, R.,GENETIC INFLUENCE ON FAMILY SOCIOECONOMIC STATUS AND CHILDREN’S INTELLIGENCE. Intelligence 42, p. 83–88, 2014
TUCKER-DROB, E. M., Harden, K. P., LEARNING MOTIVATION MEDIATES GENE-BY-SOCIOECONOMIC STATUS INTERACTION ON MATHEMATICS ACHIEVEMENT IN EARLY CHILDHOOD, Learning and Individual Differences, p. 37–45, 2012

Brasília e a marcha da crise: risco de colapso institucional

Os últimos acontecimentos agravaram a crise política brasileira e poderão ter consequências drásticas. A prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, e do banqueiro André Esteves inverteu a tendência de 'alento' que se desenhava à administração Dilma Rousseff e, junto com outros fatores, pode colocar o país no abismo de uma crise institucional. É o que, figurativamente, e só figurativamente mesmo, pode-se chamar de uma "uma peça de Fortuna", a deusa romana do acaso, do imprevisto, do destino. Dois exemplos apenas do cenário do teatro dos horrores que - se não houver uma reconfiguração do quadro atual em favor da estabilidade - são vislumbrados: 1) Em face das dificuldades de interlocução com o parlamento e da tramitação das matérias orçamentárias, a presidente poderá ser levada a dar um calote em compromissos/despesas públicas, com consequências imprevisíveis em relação aos estados, servidores públicos e aposentados; 2) poder-se-á ter confrontos de rua entre pessoas/movimentos em protesto. Boa parte das pessoas - secundadas por abordagens que não passam de espuma de palavras, da grande mídia e de determinados analistas - permanece alheia ao que está em causa. Com uma dose de ironia, é de se dizer: que Fortuna olhe para o Natal e o Ano Novo dos brasileiros! A situação é grave. Nessas horas, como em outras, tudo o que não é necessário é "sangue quente" e açodamento. E é nesse sentido, a meu ver, que a análise social objetivamente se deve pautar, examinando a crise e colocando em realce quadros de inteligibilidade que proporcionem perspectivas sobre o que está em questão e o que pode vir. Foi o que fez, aí abaixo, o prof. Aldo Fornazieri, apontando os riscos de um colapso institucional no país. Iniciei a semana pretendendo escrever um texto dessa natureza, mas, ao tomar conhecimento desse dele, senti-me contemplado. A conferir. 

Teto do Congresso Nacional - Manifestações de 2013
(Crédito: ABr) 

Por Aldo Fornazieri 
(Escola de Sociologia e Política de São Paulo)

Há duas semanas, a crise política dava sinais de arrefecimento, com o governo conseguindo algumas vitórias no Congresso, com o recuo dos ataques a Joaquim Levy, com o enfraquecimento de Eduardo Cunha, com o PSDB sinalizando uma possível mudança de postura e com a própria tese do impeachment perdendo força, tanto nas ruas quanto no meio político. A surpreendente prisão do senador Delcídio Amaral e do banqueiro André Esteves é um daqueles trabalhos terríveis da Fortuna que fazem os ventos mudar de lado, desfazendo o que vinha sendo feito, provocando tormentas e tempestades, criando novas condições, novas  circunstâncias, exigindo um reposicionamento dos atores. O reposicionamento, ainda em andamento, dos partidos e dos políticos, no entanto, sinaliza não um clareamento do horizonte, mas o aumento das incertezas.
No jogo das irresponsabilidades sobram imputações para todos os lados: à presidente Dilma, que construiu no primeiro mandato as condições da ruína do segundo mandato e porque agora não consegue reagir e governar; ao PT, que se corrompeu e que, junto com Lula, desenvolve ações desestabilizadoras do atual governo Dilma; a Aécio Neves e ao PSDB, que não aceitaram a derrota das urnas e desenvolveram uma ação golpista sob o manto disfarçado de legalidade dos tribunais e do instrumento do impeachment; ao PMDB, que não se compromete com a governabilidade e que age como ave de rapina sempre à espreita de vítimas ou de carniça; a Eduardo Cunha, que não tem escrúpulos e limites para salvar-se da guilhotina e para viabilizar seus interesses pessoais. 
Nem no governo, nem nos partidos governistas e nem na oposição existem centros de gravidade política ou líderes legitimados, capazes de imprimir alguma coerência e sentido ao sistema político. O que se instaurou é uma guerra sem quartel e sem escrúpulos pelo botim do Estado, uns querendo levar os outros ao cadafalso e todos imolando os interesses do povo e do país no altar dos sacrifícios.
A perda de legitimidade do sistema político e dos partidos, que vem se agravando desde as manifestações de 2013, se deve a duas razões principais: a) os partidos não representam mais nada, a não ser eles mesmos e seus interesses; b) a suspeita generalizada de que havia no país uma corrupção sistêmica – suspeita de longa data – se tornou evidente à luz do dia com a sucessão de escândalos, nos vários níveis da administração pública, mas atingindo principalmente o Executivo, o Legislativo, juízes, as estatais, o BNDES que beneficia o clube de amigos do poder, as empreiteiras, as prestadoras de serviços públicos, o sistema financeiro e várias empresas que, pelas suas relações de poder, ou praticam a corrupção pura e simples ou sonegam impostos. Servidores públicos, inclusive de carreira, não ficaram imunes a esse sistema. O presidencialismo de coalizão perdeu a sua função política de garantir a governabilidade e se transformou em presidencialismo de negócios, desbalanceando a competição de mercado, introduzindo a deslealdade como critério de sucesso e definindo o Estado, incluindo os Legislativos, como balcão de negócios, com agências ramificadas nos mais diversos setores.
Desta forma, a luta política deixou de ser uma luta por representação de interesses sociais, pela promoção do interesse público e pelo desenvolvimento econômico e social do país. Os partidos e os políticos – claro que há exceções – se tornaram agentes de negócios. Financiamento de campanhas, contas no exterior, promoção de empreendimentos de familiares de políticos e agentes públicos são formas de mediação de um novo sistema de negócios que floresceu à margem da lei e embalado pela impunidade. Com isso, a política perdeu toda a dimensão moral e se reduziu a uma mera técnica de conquista e manutenção do poder, visando os negócios privados dos partidos, de funcionários e dos políticos com as mais variadas empresas públicas e privadas. A habilidade técnica da conquista e manutenção do poder é indiferente aos fins. O único fim que interessa é o fim particular da posse do poder. O poder deixou de ser meio com vistas a realizar os fins públicos.
A prisão de políticos, de empreiteiros e de banqueiros provocou um curto circuito no sistema múltiplo de locupletação ilícito. O fim da impunidade está fazendo esse sistema ruir. O risco de colapso institucional existe porque o governo não consegue reagir e governar; porque a Câmara dos Deputados se tornou presa de um lobo solitário, de um cachorro louco, no sentido figurado do termo, e porque a oposição se mantém disposta a chegar ao poder pelos atalhos das sombras. O risco de colapso existe porque as margens para uma saída política normal – por eleições e por uma alternativa partidária legítima – se estreitaram. O sistema está sendo posto abaixo pela ação do Ministério Público, da Polícia e da Justiça. Em face da ausência de alternativas e da irracionalidade pública dos políticos o que vem se gerando é um enorme vácuo político, um vazio de autoridade legítima.
A solução da crise política tem vários ângulos de mirada, dependendo do ator e de seus interesses. Evidentemente, a remoção de Eduardo Cunha da presidência da Câmara é necessidade mais imediata. Como e se isto será feito, talvez se saiba nesta semana.  Se não for feito a crise não tem solução, pois ele se tornou o obstáculo mais imediato para qualquer solução.
O problema maior se situa em como solucionar a crise no governo. Com a prisão de Delcídio Amaral se intensificou uma articulação tucano-peemedebista que quer o impeachment. Sendo que não há nenhum fundamento jurídico para o mesmo, este é o pior caminho e arrastará o país para uma grave desestabilização política. O impeachment é um processo prolongado que pode demorar mais de 100 dias. Se o impeachment de Dilma for desencadeado, tudo indica que se constituirá um cenário de confrontação de rua. Ao mesmo tempo em que os movimentos pró-impeachment refluíram, os movimentos sociais progressistas, que inclusive não apoiam o governo, mas são contra o impeachment, ganharam articulação e força. A radicalização em nome da defesa da democracia e contra o golpe será inevitável. Se não surgir nenhum fato que implique diretamente a presidente Dilma em atos ilegais, o impeachment é o caminho da insensatez.
Outra proposição de setores da oposição, e este talvez seja também o desejo de Lula e do PT, é a renúncia de Dilma. Dilma estará disposta a renunciar enquanto ainda houver alguma esperança de recuperação do governo? Aparentemente, não. Esta saída depende de um ato de vontade unilateral ou de um imenso movimento de massas pela renúncia, algo que não é visível neste momento. Em caso de impeachment ou de renúncia cabe perguntar se Michel Temer teria condições de governar, com os movimentos sociais nas ruas. É altamente duvidoso, ainda mais com o PMDB fortemente envolvido nos escândalos de corrupção.
A saída mais sensata consistiria na criação de condições mínimas de governabilidade, com alguma colaboração da oposição, por mínima que seja. Mas Dilma e o governo precisariam fazer sua parte, lançando, ao lado do ajuste fiscal, uma plataforma de recuperação da economia. O governo deveria chamar também os setores empresariais, os movimentos sociais e parte da oposição para negociar propostas concretas. Mas é difícil supor que isto aconteça num governo que vem se mostrando surdo, mudo e paralítico quando se trata da ação e da interlocução políticas.
A única coisa que os movimentos sociais e políticos progressistas não podem abrir mão, nesse momento de incertezas crescentes, consiste na manutenção de sua organização e mobilização. Precisam cobrar as soluções que façam recair os maiores custos da crise sobre os mais ricos. Propostas sensatas e razoáveis não faltam.  Na medida em que terminou o jogo do ganha-ganha da era Lula, o jogo agora é definir quem ganha e quem perde ou quem perde menos. Num momento em que os partidos e os políticos representam seus próprios interesses, os setores mais pobres da sociedade só ganharão algo ou reduzirão as suas perdas se estiverem organizados e mobilizados, com plataformas sensatas e com a sabedoria prática para fazer as mediações políticas necessárias.
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Fonte: http://jornalggn.com.br/. Título original: 'Risco de colapso institucional' 

domingo, 29 de novembro de 2015

Palavras trocadas sem dizê-las




Por Anderson Henriques

Às vezes, a extrema falta de intimidade nos obriga a falar qualquer coisa com alguém que está por perto, na tentativa de quebrar aquele silêncio incômodo. Estar em silêncio ao lado de alguém, sem que isso cause constrangimentos, é, a meu ver, o auge da intimidade entre duas pessoas. Minha avó gostava de um ditado que nos dizia sempre: "Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro". Para mim, que às vezes sou inundado por uma necessidade quase vital de manter-me em silêncio, como se houvesse um selo invisível cerrando minha boca, esta visão a respeito do silêncio, da falta de necessidade de falar, é, em alguns momentos ou situações, uma dádiva a que dou muitíssimo valor.
Minha avó - de quem tanto falo - era uma pessoa simples, porém de uma sabedoria enorme. Seu olhar sobre a vida, muito me inspirou e tem inspirado. Sempre que conversávamos, eu lhe falava: "vó, um dia ainda escrevo sobre sua vida". Ao que ela me respondia sempre: "quem se interessaria pela vida, pelos pensamentos de uma velha?".
Por todo o período em que minha avó esteve internada, após sofrer um infarto, nós nos revezamos para acompanhá-la no hospital. Aquela noite seria a minha vez de servir-lhe de acompanhante. Durante a visita, a fisioterapeuta veio fazer sua avaliação e nos disse que era preciso que o acompanhante conversasse bastante com ela, pois assim a vovó exercitaria a fala. No instante em que a doutora falou isso, eu olhei pra minha avó e disse: “ihh vó, logo hoje que é a minha vez. Não foi uma boa escolha. A senhora sabe que eu quase não falo nada”. Vovó esboçou um sorriso e com imensa dificuldade balbuciou: “você sempre falou o suficiente, meu neto”. Aquelas palavras me confortaram imensamente.
Minha avó me conhecia como poucos. Nunca fui o tipo de pessoa efusiva, que demonstra sentimentos com facilidade. Sempre fui, em verdade, muito contido. Causam-me desconforto e estranhamento, até hoje, pessoas muito expansivas, exageradamente íntimas, que necessitam a todo tempo de demonstrações de afeto, de declarações, de palavras. Sempre achei isso muito cansativo. Diante de minha avó, no entanto, eu sempre pude ser o mesmo menino calado, taciturno, curto de palavras, que gostava de subir à sua casa para ficar ao seu lado, em silêncio. Às vezes à beira da cama, vendo-a dobrar roupas recém-recolhidas do varal, outras vezes, encostado na máquina de costura, brincando com botões, carretilhas e retalhos, ou ainda, sentado à mesa, enquanto ela catava o feijão ou descascava legumes.
Vovó não insistia em arrancar palavras de minha boca, não me enchia de perguntas o tempo todo. O silêncio entre nós era confortável. Ela compreendia que eu gostava muito mais de ouvir do que falar. “Meu filho, você não é de falar muito. Só observa.” Eu arqueava as sobrancelhas e sorria. Em silêncio.
Essa possibilidade de estar ao lado de alguém, podendo guardar meu silêncio, sempre me agradou. Desde menino, sempre pensei muito. A mente fervilhava, elaborava, analisava tudo, o tempo todo. Trago em mim desde sempre esse desejo de silêncio. Pois somente quando me calo é que ouço a voz que fala dentro de mim. A voz daquele que, mesmo sendo eu, é um outro que mora em mim, que me conhece de fato, que me compreende e me aconselha. Aquele que se alimenta do meu silêncio, da minha mudez, que toma forma e habita meus pensamentos. Esse outro que surge no exato instante em que silencio. Preciso ouvi-lo. Sinto sua falta. Conto com ele. É ele quem me dá o equilíbrio.
É esse outro "eu" quem também segura firme as palavras que desejam sair de minha boca, e realimenta meus pensamentos, fazendo-os girar dentro de mim, transformando-os, aparando arestas, lapidando. É ele quem grita dentro de mim, tentando me proteger dos meus rompantes. É o tal que me faz respirar fundo, engolir a seco, e começa a contar comigo: “um, dois, três...”, sempre que pressente que hei de ganhar mais permanecendo calado. É obvio que nem sempre estou plácido, sereno, o suficiente para ouvi-lo. Mas é justamente nestes momentos em que não o deixo agir que mais me arrependo.
Falar demais me faz mal. Gosto muito de ouvir os que respeitam as pausas, que pensam antes de falar, os que permitem intervalos. Para mim, uma relação entre duas pessoas – seja ela qual for – atinge a ‘perfeição’ quando o silêncio não causa desconforto ou constrangimento. Ter com quem falar é, às vezes, imprescindível, no entanto, ter alguém que consegue se calar ao teu lado é vital. Pois é na escassez da palavra falada que os pensamentos dialogam, as almas conversam.

Exposição de 'Not to be Reproduced', de René Magritte 
Meus amigos mais caros são exatamente os que compreendem o meu silêncio,  o meu exílio voluntário. São os que têm permissão para entrar na minha clausura, pois são capazes de caminhar ao meu lado sem fazer barulho. Meus amigos são aqueles que sabem ler os silêncios da minha cadência e não atravessam o meu ritmo. Sabem fazer soar com exatidão tanto as notas como as pausas dos meus compassos. Sabem ler a partitura da minha vida. Entendem a minha música.
Vovó e eu tínhamos esse refinamento. Ela conhecia o meu silêncio. Não precisava das minhas palavras para saber o que eu estava sentindo. Eram os nossos olhos que proseavam, trocavam confidências. O silêncio não incomodava. Naquela última noite em que estivemos a sós, quando lhe faltavam forças para dizer palavras, foi com o silêncio que nos despedimos. Foi porque aprendemos a silenciar que conseguimos trocar aquelas últimas palavras, sem dizê-las.
Em pé, ao lado da cama, enquanto eu olhava seu rosto, eu pensava no quanto eu amava aquela senhora, no quanto sua vida, suas histórias, seus ensinamentos tinham sido determinantes na construção da pessoa que eu havia me tornado. Ela me olhava nos olhos, como se ouvisse meus pensamentos. De novo, o silêncio. De minha parte, o silêncio habitual, das horas em que meus lábios cerram de tal maneira que as palavras parecem não encontrar meios de escapar. O silêncio que minha alma necessita pra falar dentro de mim. Dela, o silêncio resignado, da impossibilidade física de falar.
Nós ficamos um bom tempo, ali, de mãos dadas, olhando nos olhos um do outro. Trocando nossas últimas confidências silenciosas. Ela, então, num esforço tamanho, levou minha mão até o seu rosto e a beijou, com carinho. Suspirou profundamente. E, então, esboçou um leve sorriso. Apesar da tristeza que insistia em meu coração, eu intuí que se tratava de um momento muito especial. Com aquele beijo, com aquele leve sorriso, minha avó me dizia pela última vez o que nunca foi preciso de palavras para dizer.
Naquele instante, eu me transportei no tempo, e vi novamente o menino que corria ao terreno baldio, catava três florezinhas no mato, corria pra entrega-las, e saía às carreiras, envergonhado. Já naquele tempo, ela me sorria e consentia com os olhos. O silêncio desde então prescindia das três palavras, as mesmas que meu coração ouviu naquela noite em que nos olhamos pela última vez. Ainda hoje, é esse silêncio confortável que ameniza a minha saudade, pois quando em silencio é que ainda sou capaz de ouvir a sua voz doce a trazer paz e conforto ao meu coração.
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Fonte: http://obviousmag.org/




sábado, 28 de novembro de 2015

Nostálgico mar ao que não diz o ar


Questões de Agora: Drogas, Saúde Coletiva e Educação



Desde que, no contexto internacional, o cientista social estadunidense Howard Becker publicou a clássica obra Outsiders (que combina reflexão teórica e pesquisa empírica realizada com usuários de maconha e músicos de casas noturnas), os estudos sobre as drogas ganharam outras 'perspectivas metodológicas'. O livro de Becker é um marco, e nesse sentido realiza significativas mudanças de foco. Por exemplo, da 'ideia essencializada de crime' para o termo desvio (o que significa a existência de uma relação social); do realce no indivíduo para o foco nas relações (as quais geram regras e demandam o seu cumprimento); da ênfase na naturalização das regras ao enfoque na sua produção social, destacando os processos de imposição de rótulos pela sociedade dita 'normal' no que se refere a pessoas e comportamentos tidos como desviantes (do que seria o 'normal'). No Brasil, contudo, esse background esteve relativamente ausente nas discussões das ciências do campo do social - prova disso é que o livro só foi traduzido/veio a lume no país em 2008, 45 anos após a sua publicação. Pois bem, essa é uma das referências analíticas dos estudos e pesquisas que tenho coordenado/desenvolvido sobre as drogas, e cujo resultado neste ano de 2015, além de alguns papers, é a publicação do trabalho cuja capa aí acima está estampada, tendo como título 'Drogas, Saúde Coletiva e Educação: Conhecimentos para a Ação Formativa', viabilizado no âmbito de um projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Trabalho construído na estimável interação com a equipe e o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Sociedade e Culturas (GEPEDUSC)/UFPB Litoral Norte - bolsistas, ex-bolsistas e colegas professores, bem como no diálogo com  amigos que, quando solicitados, não se furtaram em realizar a leitura do material e a fazer observações. A outra referência analítica do texto é oriunda do campo da saúde coletiva, considerando, por exemplo, a démarche da perspectiva bio-psico-social.  Em linhas gerais, procura-se fazer aquilo que, em boa parte das vezes, está ausente nas abordagens brasileiras sobre as drogas, isto é, traçar uma espécie de genealogia desse fenômeno, mostrando-o em suas diversas dimensões, como os aspectos que envolvem a sua dupla tipificação: drogas lícitas e ilícitas. Penso que esse é um enfoque fundamental para que se possa, no trato do assunto,  alcançar o objetivo para o qual o trabalho pretende contribuir, ou seja, compreender adequadamente esse fenômeno – sem preconceitos e (falsos) moralismos -, no sentido de, com conhecimento de causa, definir posições a seu respeito e ações (políticas, educativas, reguladoras, etc.) que a análise racional julgue necessárias. Por fim, no dia 15/12, a partir das 19h30, estaremos realizando na UFPB/Litoral Norte, na unidade de Mamanguape, uma discussão/palestra onde estarão sendo debatidas posições favoráveis e contrárias à descriminalização de drogas como a cannabis.