sexta-feira, 13 de abril de 2012

Das duras esquinas do real a um cotidiano cheio de sentido

A Revista lusitana O Comuniero, pode-se dizer, já vive o período da maioridade. Projeto editorial levado a cabo pelo meu amigo Ângelo Novo, no qual desde o princípio tomei parte, O Comuneiro, de fato,  tem se constiuído num audacioso laboratório de reflexão no mundo de língua portuguesa. Inquietação analítica e audácia na senda de tornar o impossível possível. Um horizotne a descortinar. Das duras esquinas do real a um cotidiano cheio de sentido. Abaixo, o manifesto de fundação da Revsita, e o novo número em www.ocomuneiro.com. Vale a pena conferir, por exemplo, um debate que se apresenta novo e instigante: a 'questão da desglobalização'. 




EM COMUM 

Em Wall Street as expectativas crescem. Há fusões de grandes conglomerados e mais despedimentos massivos em perspectiva. As armadilhas da liquidez. Grandes aluviões de dinheiro – fictício, esbulhado, prometido - cachoam enlouquecidos, como manadas de bisontes em pânico. Flexibilidade, polivalência, just in time. Os ritmos aceleram para os sobreviventes da empregabilidade. Os nervos crispam-se no esforço. A TV vomita as suas obscenidades quotidianas. A terra está seca. Os peitos das mães acusam silenciosamente. Torrentes de humanidade “excedentária” afluem continuamente às megapólis de lata. As chuvas são ácidas. O barril do ‘brent’ está cotado em alta. Erguem-se novamente as cabeleiras rubras da guerra. De todos os cantos do mundo se levanta um mesmo clamor de revolta.
‘O Comuneiro’ pretende ser, dentro do mundo da língua portuguesa, um pequeno laboratório de pesquisa na busca de um propósito articulado nesta revolta. Para isso, serve-se dos instrumentos da crítica ao universo do capital forjados há cento e cinquenta anos e temperados desde então em milhões de lutas, grandes e pequenas, certas e equivocadas. Trabalho necessário, mais-valia, D-M-D’. Como do sangue, suor e fezes das grandes multidões laboriosas se foram amassando as riquezas acumuladas nas mãos dos poucos, reproduzindo-se o ciclo incessantemente com uma regularidade cega e brutal. Até que a rotativa da valorização entra em panne mortal. O velho red doctor, nas insónias do Soho, viu tão bem e tão longe que só hoje começamos a compreendê-lo verdadeiramente. Ou só hoje as duras esquinas do real parecem obstinar-se a preencher e cumprir fielmente os seus conceitos.
Que um outro mundo é possível, ninguém o duvida. Menos que todos os ideólogos estipendiados para o negar, que são as únicas vozes autorizadas no novo Leviatã totalitário da “globalização”. Mas os futuros possíveis arrancam do que é presente, do que se compreende a si próprio como movimento e razão. O nosso desígnio é pois tornar esse movimento e essa razão presentes a si próprios. Para que, de entre os miasmas em decomposição do mundo mercantil (e seu bailado de fetiches), se ergam as novas vozes prontas a reclamar e fazer sua a própria vida. Em comum. Saltando as cercas. Rasgando a mãos juntas os velhos protocolos da exclusão e do enclausuramento proprietário.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A simplicidade nas intermitências do existir: Neruda e as memórias que escapam

“Estas memórias ou lembranças são intermitentes e, por momentos, me escapam porque a vida é exatamente assim. A intermitência do sonho nos permite suportar os dias de trabalho. Muitas de minhas lembranças se toldaram ao evocá-las, viraram pó como um cristal irremediavelmente ferido.  (....)  Talvez não vivi em mim mesmo, talvez vivi a vida dos outros. (...) Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta”. Esta é a abertura do Confesso que Vivi, do saudoso Pablo Neruda. A minha geração cresceu lendo e admirando esse livro. O filme “O Carteiro e o Poeta”, diz muito do que era Neruda.  De quem é a poesia? Não é de quem a compõe, é de quem dela precisa – é dito no 'Carteiro'. Ao recensear a obra do chileno, Anselmo Massad emplacou o título 'A simplicidade de quem descobre a beleza'. Reproduzo abaixo. 


A simplicidade de quem descobre a beleza
Mais do que apenas uma poesia militante ou partidária, a obra do poeta Pablo Neruda revela a magia da terra e da história da América Latina

Por Anselmo Massad
Dia 23 de setembro de 1973. Doze dias tinham se passado desde a deflagração do golpe militar que tirou Salvador Allende do poder. O que circulava de boca em boca era que o poeta se fora. Entre os jornalistas estrangeiros recém-chegados ao país para cobrir os desdobramentos políticos pós-golpe, estava o então repórter do Estado de S.Paulo, José Maria Mayrink. Nefatli Ricardo Reynes Bosoalto, conhecido como Pablo Neruda, havia morrido de câncer e o velório na sua casa, em Santiago, reunia poucas pessoas. Tão poucas, segundo Mayrink, a ponto de terem dificuldade de levar o caixão até o carro fúnebre, por conta de um riacho formado no quintal da casa pelo rompimento de uma represa próxima. Aos poucos, à medida que o cortejo avançava, mais de mil pessoas foram se juntando à multidão. Começou-se a ouvir palavras de ordem lembrando Neruda e Allende, com a Internacional Comunista ecoando em toda parte. Era a primeira manifestação pública depois do golpe.

Essa história apenas ilustra como o poeta havia se tornado emblemático para a esquerda chilena e mesmo latino-americana. No entanto, Neruda era muito mais. O escritor argentino Julio Cortázar - amigo e admirador - escreveu no ensaio Neruda entre nós (compilado na obra Julio Cortázar - Obra crítica 3, organizada por Súl Sosnowski), que os textos do chileno produziam resultados, além do enriquecimento natural que vem da leitura de qualquer grande poesia. Cortazar fala em um contato direto com matérias, formas, espaços e tempos no continente. "Quem poderá chegar ao litoral chileno e se debruçar sobre o Pacífico implacável sem que os versos de Barcarola retornem da já remota Residência na Terra; quem subirá a Machu Picchu sem sentir que Pablo o antecede na interminável teoria de degraus e colméias?", resume.

Esse era um dos diferenciais de Neruda: sua inspiração e seu trabalho estavam ligados ao chão e à natureza da América Latina. Para Cortázar, "[Neruda é] o poeta que bruscamente nos devolvia ao que era nosso, arrancava-nos da vaga teoria das amadas e das musas européias para nos atirar nos braços uma mulher imediata e tangível e nos ensinar que um amor de poeta latino-americano podia se dar e se escrever hic et nunc [aqui e agora], com as palavras simples do dia, com os cheiros das nossas ruas, com a simplicidade de quem descobre a beleza".

A juventude do poeta se passou em Temuco, região de fronteira ao sul do Chile. "Começarei por dizer, sobre os dias e anos de minha infância, que meu único personagem inesquecível foi a chuva", relata Neruda logo nas primeiras linhas de seu livro de memórias, Confesso que Vivi (Cia. das Letras), escrito pouco antes da morte. "A grande chuva austral que cai como uma catarata do Pólo, desde o céu do Cabo de Hornos até a fronteira. Nesta fronteira (...), nasci para a vida, para a terra, para a poesia e para a chuva". E a relação com a natureza não se restringia às águas. "A natureza ali (na fronteira) me dava uma espécie de embriaguez. Atraíam-me os pássaros, os escaravelhos, os ovos de perdiz. Era milagroso encontrá-los nas quebradas, brônzeos, escuros e reluzentes", conta.

O resultado do intenso contato com a natureza teve um papel determinante em toda a carreira do poeta, mas mais intensamente na primeira fase de Neruda. "Quando Neruda começa a escrever, surge o debate do surrealismo", resgata Mariluci da Cunha Guberman, professora de Literatura Hispano- Americana da UFRJ. A supra-realidade buscada pelos europeus nos sonhos estava disponível na América Latina de forma muito mais intensa e presente nos mitos indígenas e africanos. Para Neruda, que tem nessa fase uma característica de difusor da vanguarda, a supra-realidade vem do contato com a matéria orgânica, com as forças naturais.

"Neruda é talvez o maior representante de uma literatura baseada em forças telúri-cas do Chile", aponta Amalho Pinheiro, professor de Literatura Hispano-Americana da PUC-SP. "Ele se sentia como árvore e seus livros eram como madeira. Era a carne viva que se confundia com terra e suor humano ligado às fontes naturais que devia se tornar poesia", completa.

Pinheiro chama essa poesia de "orgânicomitológica", trazendo o contato direto com os elementos da natureza. Não se trata apenas de uma questão de conteúdo ou de temática, mas sim de forma de construção poética. "Ele queria ser um primitivo, detestava as academias e as análises científicas sobre a obra." Assim, o professor de literatura - como diversos críticos literários - considera Residência na Terra como a sua melhor obra, por transformar esses elementos em ritmo poético, como se as sílabas se tornassem gotas de água.

Lado político

O crítico literário e professor da USP, Davi Arrigucci Jr., indica em seu ensaio Contorno da poética de Pablo Neruda (publicado em Outros Achados e Perdidos, Cia. das Letras), que a semente da transição do poeta para a fase política já se encontrava em sua poesia primitiva. Para Arrigucci, a poética de veio romântico e de base irracional do primeiro período traz já um caráter político, empenhado em mudanças sociais. No entanto, o engajamento foi tornando- se mais e mais político-partidário, em defesa dos ideais comunistas.

A mudança começou no contato do escritor com a Espanha. Tendo iniciado carreira diplomática no Extremo Oriente, Neruda foi transferido em 1934 para a embaixada de Barcelona e depois para Madri. "O contato com a Espanha tinha me fortificado e amadurecido", narra em sua autobiografia. "As horas amargas de minha poesia deviam terminar. O subjetivismo melancólico de meus Vinte poemas de amor (e uma canção desesperada) ou a comoção dolorosa de Residência na Terra chegavam ao fim. Pareceu- me encontrar um veio enterrado, não sob as rochas subterrâneas, mas sob as folhas dos livros. Pode a poesia servir aos nossos semelhantes? Pode acompanhar as lutas dos homens?".

O poeta, acusado por críticos de ser inacessível em Residência na Terra, começou a querer ampliar seu alcance, a falar para os trabalhadores, para as massas. De certa forma, ser acessível ou não para o grande público é uma das questões mais presentes nos debates sobre arte durante o século XX. Neruda enveredou na direção da linha adotada por boa parte dos movimentos comunistas, de voltar sua arte às massas. E tornou- se uma referência. "Simplesmente tinha que escolher um caminho. Foi o que fiz naqueles dias e nunca me arrependi da decisão tomada entre as trevas e a esperança daquela época trágica", aponta em Confesso que Vivi, a respeito da aproximação definitiva com o comunismo.

As circunstâncias favoreciam a tomada de posição. Grande parte dos intelectuais ligados às vanguardas latino-americanas era comunista - muitos deles estiveram na Espanha durante a Guerra Civil e chegaram a pegar em armas. O envolvimento de Neruda com o movimento de defesa das forças republicanas na Espanha lhe custou o posto de embaixador no país, por faltar com a imparcialidade exigida pelo cargo. Mesmo tendo de se retirar para Paris, continuou guerreando a seu modo. Sem dinheiro nem para comprar sapatos, como ele mesmo recorda em suas memórias, chegou a organizar em 1937 um Congresso de Escritores Antifascistas reunindo nomes consagrados e outros nem tanto na época - como o francês André Malraux, o mexicano Octavio Paz, o chileno Vicente Huidobro e o peruano César Vallejo.

Para a Espanha, escreveu Espanha no Coração. "Com esse livro, Neruda assume seu dever de poeta que ele mesmo chama de utilidade pública", opina Juan Agustín Figueroa, presidente da Fundación Neruda no Chile. "O poeta tem agora uma visão diferente do mundo ao entregar seu memorável hino às glórias de um povo em guerra. Assim, o mundo mudou e sua poesia também", completa.

Em 1945, Neruda, já consagrado, foi a um comício organizado em comemoração à libertação de Luís Carlos Prestes declamar, em espanhol, em pleno estádio do Pacaembu, um poema escrito para o homenageado. "Aqueles aplausos tiveram profunda ressonância em minha poesia. Um poeta que lê seus versos diante de cento e trinta mil pessoas nunca mais será o mesmo, nem pode escrever da mesma maneira", escreveu.

Amalho Pinheiro afirma que a poesia política é mais conhecida, primeiro pelas circunstâncias muito fortes da época e depois por ser de mais fácil compreensão, pois falam de necessidades básicas e são mais simples e diretos. "A dimensão político-partidária é um limitante para ele. Outros poetas resolveram melhor essa questão. [Vladimir] Maiakovski, César Vallejo, no Peru, Oswald Andrade, no Brasil são exemplos. Em Neruda, o lado político foi um impedimento porque ele dicotomizou demais a luta política, permanecendo muito fiel aos ditames comunistas, mesmo depois que eles naufragaram, quando Stálin começou a matar gente", opina Pinheiro. Isso não quer dizer que não haja poemas preciosos dessa fase. Em muitos textos de temática político-partidária ele retoma os elementos orgânicos, a terra, a água, as pedras.

Mas se agradava a alguns, o lado militante do poeta desagradava a outros tantos. Haroldo de Campos, por exemplo, não poupava críticas à fase política de Neruda. "Ele acabou desenvolvendo uma espécie de dispositivo retórico que tornava sua poesia muito previsível - embora tivesse momentos excelentes. De fato, tal dispositivo, sobretudo quando manipulado pelos epígonos, era bastante monótono e pouco interessante", disse em entrevista a Rodolfo Mata, do Centro de Estudos Literários da Universidad Nacional Autónoma de México.

História da América Latina

A obra mais conhecida de Neruda - considerada como a mais importante por ele mesmo - traz elementos tanto telúricos quanto da luta partidária. A obra foi publicada em 1950 no México e clandestinamente no Chile. Neruda estava exilado na Europa, perseguido pelo governo de González Videla, a quem criticava duramente pela violenta repressão aos movimentos de mineiros de estanho.

Canto Geral é uma compilação de 250 poemas divididos em 15 partes. "É uma epopéia moderna de toda a América Latina, incluindo o Brasil", aponta Mariluci Guberman. "Normalmente, as epopéias começam pela parte histórica e depois trazem o mito, o herói. No Canto Geral, ele começa com o mito, falando do índio, que remete a uma idéia romântica do bom selvagem. Faz da história uma apologia do homem primitivo das Américas."

Um trecho bastante conhecido da obra é Alturas de Machu Picchu. Ele foi concebido em uma viagem à região peruana em 1940, quando Neruda voltava para o país, desistindo da carreira diplomática. "Senti-me infinitamente pequeno no centro daquele umbigo de pedra, umbigo de um mundo desabitado, orgulhoso e eminente, ao qual de algum modo eu pertencia", começa Neruda Neruda em suas memórias. "Senti que minhas próprias mãos tinham trabalhado ali em alguma etapa distante, cavando sulcos, alisando penhascos. Senti-me chileno, peruano, americano", completa.

Em outra parte, descreve a brutalidade dos conquistadores espanhóis e o massacre de diversos grupos indígenas. Em seguida, faz uma louvação aos libertadores (entre os quais figuram o poeta Castro Alves e Luís Carlos Prestes), seguindo assim a história da América Latina. As oligarquias, as multinacionais, diversos grupos de trabalhadores também têm espaço na história. "Ele assume um eu coletivo, toda a identidade latino- americana. É um canto único para a América", sustenta Mariluci. "Essa obra é uma monstruosidade anacrônica (...), e por isso é uma prova de que a América Latina não apenas está fora do tempo histórico europeu como tem todo direito e, mais, a penetrante obrigação de estar", defende Julio Cortázar. Sobre a vastidão de temas abordados, Cortázar compara a obra a "uma loja de ferragens em que tudo se encontra, de um trator a um parafuso; com a diferença que Neruda rejeita olimpicamente o pré-fabricado no plano da palavra".
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terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre a relação indivíduo e sociedade

Abaixo, trabalho meu publicado pela norte-americana Political Affairs, em nova versão. 

  Individual and Society: The Dialectical Conception of History

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By Ivonaldo Leite - Federal University of Paraíba , Brazil 

Human beings and the process of production

The premise of all human society is the existence of living human individuals. The first fact to be established, therefore, is the physical constitution of individuals and their consequent relation to the rest of Nature. All historiography must begin from these natural bases and this modification in the course of history by human activity.

According to Marx in his critique of political economy, the conception of history rests on the exposition of the real process of production. It starts from the simple material production of life and the form of intercourse, created by this mode of production, i. e., at civil society in its various stages as the basis of all history. Life involves before anything else – eating and drinking, a habitation, clothing and many other things. So, the first historical act is the production of material life itself.

Work is humanity’s basic form of self realization. We cannot live without work. The way in which human's produce their means of subsistence depends in the first place on the nature of existing means which they have to reproduce. It is a definite form of activity of these individuals, a definite way of expressing their life, a definite mode of life.

According to that perspective, history may be divided roughly into several periods, for example, ancient civilization, feudalism and capitalism. Each of these periods is characterized by a predominant mode of production and based upon it a class structure consisting of a ruling and oppressed class. The struggle between these classes, determines the social action and relation among the human beings. In particular, the ruling class which owes its position to the ownership and control of means of productions, controls also the whole moral and intellectual life of the people.

As the materialist dialectic affirms, people enter into definite relations that are independent of their will. In other words, we can follow the movement of history by analyzing the structure of societies, the forces of production, and the relations of production, and not by basing our interpretation on people’s ways of thinking about themselves. Secondly, in every society there can be distinguished the economic base or infra-structured as it has come to be called, and the superstructure within which figures the legal and political institutions as well as ways of thinking, ideologies and philosophies. Thirdly, the mechanism of the historical movement is the contradiction, at certain movements in evolution, between the forces and relations of production. The forces of production seem to be essentially a given society’s capacity to produce, a capacity which is a function of scientific knowledge, technological equipment and the organization of collective behavior or labor.  

Society and social classes

The relations of production which are not too precisely defined seem to be essentially distinguished by relations of property. However, relations of production need not be identified with relations of property; or at any rate relations of production may include in addition to property relations, distribution of national income which is itself more or less strictly determined by property relations.

Now it is easy to introduction the class struggle. A social class in Marx’s terms is any aggregate of persons who perform the same function in the organization of production. For instance, free person and slave, oppressor and oppressed. These classes are distinguished from each other by the difference of their perspective positions in the economy. A social class is constituted by the function, which its members perform in the process of production.

The position which the individual occupies in the social organization of production, indicates the class to which he or she belongs. The fundamental determinant of class is the way in which the individual cooperates with others in the satisfaction of his basic needs of food, clothing and shelter. Other index such as income, consumption, occupation are so many clues of his prestige symbols. Hence, according to Marx, the income or occupation of an individual is not an indication of his class-position i.e., of his or her role in the production process. The separate individual forms a class only in no so far as others have to carry on a common battle against another class; otherwise they are on hostile terms with each other as competitors. On the other hand, the class in its turn achieves an independent existence.

The development process of a social class depends upon the development of common conditions and upon the realization of common interests. Only when the members of a potential class enter into an association for the organized pursuit of their common aims, does a class in Marx’s sense exist. Economic conditions had first transformed the mass of the people of the country into workers. The determination of capital has created for this mass a common situation and common interests. This makes it already a class as against capital, but hot yet for itself. In this struggle this mass becomes united and constitutes itself as a class for itself. The interests it defends become class interests.

So, in that vision of history, revolutions are not political accidents, but the expression of historical necessity. Revolutions perform necessary functions and they occur when conditions for them are given. Capitalists relations of productions were first developed in the womb of feudal society. The French Revolution occurred when the new capitalists relations of production had attained a certain degree of maturity.  

Dialectic and social change

It is not my consciousness that determines reality. On the contrary, it is the social reality that determines their consciousness. But the dialectical conception of history affirms that the law of reality is the law of change. There is a constant transformation in inorganic nature as well as in the human world. There is no eternal principle. Human and moral conceptions change from one age the next. Natural and social change occurs in accordance with certain abstract law. Beyond a certain point, quantitative changes become qualitative. The transformations do not occur imperceptibly a little a time, but at a given moment there is a violent, revolutionary shift.

As Marx wrote in his preface to Contribution to the Critique of Political Economy, at a certain stage of their development, the material productive forces of society come in conflict with the exiting relations of production within which they have been work hitherto. From forms of development of the productive forces these relations turn into their fetters. Then begins an epoch of revolution social. 

The dialectic conception of history comprehend the changes in the scope and social structure of advanced capitalism and the new forms of the contradictions characteristics of the latest stage of capitalism in its global framework. 

domingo, 8 de abril de 2012

Da Inutilidade do Sofrimento

A espanhola Maria Jesús Alava Reyes é uma psicóloga (Universidade Complutense, Madrid) com um escopo de abordagem e de atuação amplo. Além da psicologia clínica, também faz incursões por outros campos de estudo, como o educativo e das questões do trabalho. Com este background, produziu uma obra sobre o sofrimento, que se coloca para além dos 'enfoques impressionistas' da literatura de autoajuda.  Realço um pequeno trecho do livro, que bem marca a diferença em relação às obras de autoajuda: "O crucial não é o que 'nos acontece', mas o que pensamos em cada momento. O pensamento é anterior à emoção e esse pensamento é o que nos faz sentir bem ou mal. Este fato explica como as pessoas que viveram ou presenciaram uma mesma situação experimentem emoções muito diferentes perante ela: umas podem sentir-se desgraçadas, outras afortunadas, outras indiferentes". Por isto, e muito mais, vale a leitura da obra 'A Inutilidade do Sofrimento' (Lisboa, Esfera dos Livros)  

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Educação, pesquisa e currículo: Implicações sócio-linguísticas

Abaixo, um breve texto que escrevi como parte de intervenção num debate. A linguagem e a ideologia desnorteiam os que acham que educação é só "prática".


Ivonaldo Leite  

Ao realçar que questões e respostas não podem ser formuladas apenas de dentro da própria linguagem, mas requerem que sejam situadas entre a linguística e a sociologia, Henri Lefebvre abriu um vasto e promissor continente intelectual para as Ciências da Educação, dentre estas, designadamente, a Sociologia da Educação.
Levando-se adiante a elaboração lefebrveiana, trata-se de entender, com Boltanski e Thévenot, que é necessário prestar uma atenção acrescida às linguagens que são utilizadas para descrever os fenómenos, visto que as descrições, não tendo propriedades cognitivas suficientes para reflectir o em si dos factos, podem terminar por reproduzir as representações que eles dão corpo. Logo, não sendo o campo do social similar ao das ciências exactas, há de se entender que, nele, além de a linguagem não poder ser concebida como portadora de um substancialismo absoluto, há de se entender, dizíamos, que ela não apenas descreve a realidade, mas também a constrói. Os sentidos da relação linguagem e sociedade são mais argutos do que se pode imaginar. Repisando a tradição francesa no debate sobre o assunto, pode-se afirmar que a palavra é ato de tradução e tem o privilégio (perigoso) de mostrar, ocultando. 
É ilusório, portanto, imaginar, no campo educativo, uma elaboração curricular que formate por antecipação, a 100%, o carácter de um curso, predefinindo práticas (o que, de per si, já é um paradoxo) na perspectiva de se relacionarem e se coadunarem de forma exacta. Não há razão para essa espécie de sobrevida positivista-cartesiana. E ainda mais quando o discurso da flexibilidade curricular e o conceito de educação como prática social são brandidos pelos quatro cantos (ambos tingidos com supostas tintas progressistas!). Ora, mesmo os discursos científicos sobre educação não podem ser concebidos como discursos produzidos sobre objectos predefinidos. Eles são, antes, também, discursos que produzem o próprio objecto sobre o qual empreendem démarches. 
Se assim é, impõe-se a necessidade de, na definição do educativo, se atribuir uma maior relevância à questão da sociabilidade, em detrimento das concepções instrumentais que, tratando da educação, não ultrapassam a mera prescrição de  artefactos escolares pré-construídos. Importa, então, tendo em conta o conceito de sociabilidade, entender a educação como uma acção que, enquanto bem comum, se relaciona a uma noção de cidadania que é inseparável da construção da cidade e, consequentemente, de modos de vida, através do empenho no sentido de se configurar relações sociais argumentadas.
Ao pesquisador do campo educativo, como bem tem mostrado a Sociologia da Educação contemporânea, se imbuído de critérios de verdade, não é admissível que feche os olhos às implicações sócio-linguísticas em seu trabalho. Os objectos de investigação são construídos em espaços e tempos estruturados em torno da produção discursiva e social da realidade. As narrativas científicas demandam uma postura hermenêutica, habilitando o pesquisador, como diz Bourdieu, a superar as categorias de pensamento impensadas, que delimitam o pensável e predeterminam o pensado. 



domingo, 1 de abril de 2012

Acessos

Verificando as estatísticas, vejo que este blog, no passado mês, bateu um recorde de visitas, com acessos das mas variadas partes: Brasil, Portugal, Estados Unidos, Alemanha, Russia, França, Canadá, Inglaterra... Muito obrigado. Thanks. Danke. Gracias. Merci beaucoup.