quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Noiva da Revolução: Uma história de 74 dias


A seguir, uma resenha do livro do jornalista pernambucano Paulo Santos de Oliveira sobre a Revolução Pernambucana de 1817. Um romance. O amor proibido entre o líder Domingos Martins e Maria Teodora da Costa, filha de portugueses. Poder, luta e paixão. Uma história de 74 dias, com pretensão de universalidade - a Revolução das ideias e do coração. 


Por Elenilson Nascimento

Esse é um romance histórico excelente do jornalista Paulo Santos de Oliveira, que descreve o movimento revolucionário de 1817 com total fidelidade aos fatos que é um daqueles frutíferos momentos de interdisciplinariedade em que o direito se encontra com a história e com a política.
Segundo o autor, naquele ano formou-se uma república progressista no Nordeste e os brasileiros tiveram governo próprio, exército, marinha, constituição, bandeira, embaixadores no exterior, e fez-se valer aqui os princípios da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, tudo pela primeira vez. Essa aventura apaixonada é narrada por Domingos Martins, o principal líder revolucionário, e pela filha de portugueses Maria Teodora da Costa, que viveram um amor proibido e fizeram o casamento talvez mais importante já realizado no País.

Comecei – depois da leitura do livro – por delimitar um entendimento acerca do poder dos governos e suas relações com os movimentos revolucionários em geral, tentando demonstrar o seu modo de atuação nos momentos de ruptura institucional que as revoluções como a norte-americana, a francesa e também a pernambucana propiciaram. E através do livro de Paulo Santos sobre a Revolução Pernambucana de 1817, momento tão importante e crucial de nossa história, e pouco lembrado até pelos próprios pernambucanos e professores de História, pude constatar a vasta pesquisa histórica que o autor realizou para escrever o romance com detalhes raramente lembrados, como a efetiva, embora efêmera, implantação de uma República pernambucana, assim como de sua Lei Orgânica, praticamente uma primeira constituição no Brasil.
Publicado pela Comunigraf, e na já na segunda edição, essa obra foi relançada no Recife e lançada em várias cidades do interior pernambucano com apoio da Fundarpe eGoverno do Estado de Pernambuco, e com recursos do Funcultura 2007. Paulo Santos é jornalista e recifense da safra de 1952, foi cartunista nos anos 70, publicando na Folha de São Paulo, em revistas da Editora Abril, no Jornal do Brasil, e na revista experimental de quadrinhos "Balão".

Em Pernambuco, trabalhou em vários jornais e foi correspondente das publicações da imprensa alternativa “Movimento” e “Em Tempo”. Na década de 80, o autor coordenou a ECOS - Equipe de Comunicação Sindical, organização de assessoria aos movimentos sindical e popular. Nos anos 90 criou a “Estado da Arte” e a “Plug Multimídia”, empresas de assessoria em comunicação e desenvolvimento de software educativo. Esse livro “A Noiva da Revolução” é o seu primeiro romance publicado.Enfim, o livro trata dos detalhes dos personagens históricos do movimento revolucionário, com destaque para o amor "proibido" entre o líder Domingos Martins e a filha de portugueses Maria Teodora da Costa (um "Romeu e Julieta" real e à pernambucana). Bem bacana.
Achei ótima a ideia do Paulo Santos de romancear a história com substancial fidelidade histórica aos acontecimentos reais. Mas a leitura termina por atingir muito mais curiosos do que uma pesquisa histórica mais científica e objetiva, e desperta o interesse das novas e velhas gerações por um acontecimento tão importante da história pernambucana e brasileira. Comprei o livro por acaso, mas não é por acaso que ele está sendo resenhado aqui no COMENDO LIVROS, com a leitura já efetuada.
P.S. O livro enfatiza também o "esquecimento proposital" da referida República de 74 dias, comparando, por exemplo, com um movimento como a Inconfidência Mineira, política e historicamente de muito menor importância. Portanto, recomendo A Noiva da Revolução para quem quer ter mais informações sobre a nossa história. 

(A Noiva da Revolução, de Paulo Santos de Oliveira, 407 págs, Recife: Comunigraf, 2007)

------------------

Nenhum comentário:

Postar um comentário